De volta com ‘Chromatica’, Lady Gaga prova que moda ajuda a criar carreira de sucesso

Gilberto Júnior
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Lady Gaga

O primeiro sinal de fumaça da nova era de Lady Gaga surgiu em fevereiro, com o lançamento do clipe “Stupid love”, música escolhida para demonstrar o potencial do álbum “Chromatica”, que só chegou ao mercado nesta sexta-feira. Toda em rosa — do cabelo ao look —, a cantora interpretava uma espécie de alienígena num planeta desértico, embalada pelo velho pop que a consagrou. Corta. Aí veio o distanciamento social e a estrela mostrou seu lado solidário ao organizar o Global Citzen One World Together at Home, um festival de lives para arrecadar fundos para combater a Covid-19. No vídeo, a americana apareceu de visual colegial, com suspensórios e óculos de grau. Passado esse episódio, eis que o single “Rain on me”, uma colaboração com Ariana Grande, foi jogado na web e o visual intergalático da dupla, repleto de látex, chamou a atenção.

No palco ou na vida real, Gaga sempre entendeu o poder da moda na construção da sua imagem e mensagem. Da música de estreia, “Just dance”, ao “Chromatica”, roupas, sapatos, perucas e outros acessórios funcionam como uma extensão da música de Gaga. Camaleoa, a popstar vem sendo muitas mulheres desde seu début no mainstream, em 2008. “Ela defende a pluralidade de estilos e corpos, e a expressão máxima sobre ter um look único e singular, levando mais liberdade e sonho para as indústrias fonográfica e fashion”, avalia o stylist Daniel Ueda.

O guarda-roupa da cantora é fantasioso e desconhece a palavra medo. Correndo riscos — talvez calculados —, a americana já usou vestido de carne no tapete vermelho, caminhou com saltos estratosféricos de Alexander McQueen no clipe de “Bad romance”, abusou da alta-costura — incluindo as preciosidades da Valentino —, teve acesso ao acervo da Versace (foi, inclusive, garota-propaganda da marca italiana) e nunca se limitou a um único gênero. “Lady Gaga não tem receio de errar, exagerar e pesar. Ela carrega diferentes personas no figurino e na atitude. É um universo over, mas que se encaixa perfeitamente nela”, diz a diretora criativa e stylist Bianca Jahara, que trabalha com nomes como IZA e a drag queen Gloria Groove. “No começo, eu estranhava. Era tão pop que parecia armação. Cheguei a questionar seu talento. Mas, depois, Gaga foi tirando do baú coisas incríveis, provando ser uma artista completa.”

O diretor criativo Leo Belicha conheceu Lady Gaga em 2007, quando a americana estava em Londres “fazendo uma vasta pesquisa de estilo, tentando criar relacionamento e se infiltrar na cena de vanguarda da cidade”. “Gaga sabia que uma enorme excentricidade na maneira de se vestir seria fundamental para a personagem que estava construindo. Em todas as fases musicais que vieram, a cantora teve o mesmo cuidado de narrar os conteúdos com a ajuda de um novo look. Toda a transgressão e polêmica do começo de sua trajetória deu lugar a diferentes ‘Gagas’, e ela segue incansavelmente, à procura de expressar sua diversidade artística”, comenta Belicha, ressaltando a importância da parceria entre a estrela e Nicola Formichetti, que foi estilista da Diesel. “Como diretor criativo e stylist dela, ele trouxe designers novatos do underground londrino para confeccionar aquelas peças pelas quais ela ficou famosa.”

Para o stylist Marcell Maia, o pulo do gato foi a americana ter ido na contramão do que estava estabelecido. “Lady Gaga incomodava por ser original e inusitada, pois surgiu num momento em que as grandes cantoras do pop entregavam uma imagem muito sexualizada. Gaga trouxe um maximalismo inesperado e surpreendeu”, observa.

A consultora de moda Costanza Pascolato arremata: “Ela é uma estrategista. Até quando o look parece casual, foi pensado meticulosamente. No showbiz, isso tem um valor tremendo”.