Volta da Covid faz Tarcísio adiar promessa de acabar com vacina obrigatória em SP

Promessa foi feita por Tarcísio de Freitas durante a campanha eleitoral como um aceno a bolsonaristas (REUTERS/Adriano Machado)
Promessa foi feita por Tarcísio de Freitas durante a campanha eleitoral como um aceno a bolsonaristas

(REUTERS/Adriano Machado)

  • Promessa de Tarcísio de Freitas de acabar com vacina obrigatória fica em segundo plano;

  • Aumento no número de casos e internações por Covid-19 em SP desgastou a proposta;

  • Governador eleito deve, inclusive, focar em assegurar o sistema vacinal completo da população.

A promessa de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador eleito de São Paulo, de acabar com a vacina obrigatória para servidores públicos deve ficar em segundo plano diante do aumento de casos e internações por Covid-19 registrados no estado.

Integrantes da equipe de transição de Tarcísio colocam, inclusive, como uma das prioridades garantir o sistema vacinal completo da Covid e de outras doenças, em especial para as pessoas com comorbidades. As informações são do Estadão.

Firmada durante a campanha eleitoral, a proposta de dar fim à obrigatoriedade da vacina foi um aceno do político a eleitores bolsonaristas e ao entorno do presidente Jair Bolsonaro (PL) – que apoiou a candidatura do carioca em São Paulo. Na época, Tarcísio defendeu a liberdade das pessoas escolherem se tomariam ou não o imunizante.

Entretanto, pela primeira vez desde julho deste ano, o estado voltou a registrar 300 internações por dia de casos suspeitos e confirmados de Covid-19, configurando a média mais alta dos últimos 4 meses. O cenário fez com que a máscara voltasse a ser obrigatória nos transportes públicos da capital e de cidades do interior.

De acordo com o boletim Infogripe, divulgado na última terça-feira (29), São Paulo é uma das 20 unidades do País que apresenta tendência de alta de casos de Covid-19. Diante da possibilidade de um novo surto e da pressão da comunidade médica para manter a obrigatoriedade da vacina, Tarcísio amenizou o discurso.

Em meados de novembro, logo após ter sido eleito, o futuro governador indicou que o estado vai “brigar pela oferta de vacinas”, “incentivar a população a se vacinar” e “buscar fazer com que as pessoas que não completaram o sistema vacinal possam fazer isso”. Ele garantiu que ouviria áreas técnicas para então tomar decisões.

Procurada pelo Estadão, a assessoria de imprensa de Tarcísio manteve o posicionamento sobre ser função do estado “preservar a liberdade de escolha do cidadão” e garantiu que irá “atuar ativamente na conscientização, tanto dos servidores públicos como de toda a sociedade. O Estado atuará fortemente na ampliação da cobertura vacinal através de uma comunicação efetiva sobre a importância e a segurança das vacinas, e seguirá garantindo as doses necessárias para todos", escreveu.