Voo interceptado por Belarus teve 5 passageiros que não chegaram ao destino, diz Lituânia

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Apoiadores de Roman Protasevich especam chegada de voo no aeroporto de Vilnius

Por Andrius Sytas e Nerijus Adomaitis

VILNIUS (Reuters) - Um voo da Ryanair de Atenas, na Grécia, para Vilnius, capital da Lituânia, que foi interceptado por um avião de guerra bielorrusso e forçado a pousar em Minsk, no domingo, teve cinco passageiros que não chegaram ao destino, disseram autoridades lituanas nesta segunda-feira.

A ação de Belarus, que resultou na detenção do jornalista dissidente Roman Protasevich, que estava a bordo do avião interceptado, suscitou condenação internacional e acusações de "pirataria" aérea.

Uma porta-voz do governo lituano disse que as últimas informações disponíveis da Ryanair sugerem que 126 passageiros deixaram a capital grega e que 121 estavam presentes na chegada à Lituânia.

Comentários anteriores de autoridades lituanas estimaram o número de passageiros entre 123 e 127, mais a tripulação. Nenhum dos funcionários comentou a identidade dos passageiros que permaneceram em Minsk.

"A Ryanair corrigiu os números de passageiros declarados três vezes para nós. A última correção é que 126 passageiros deixaram Atenas e 121 pousaram em Vilnius. Isso não inclui a tripulação de seis", disse a porta-voz Rasa Jakilaitiene à Reuters.

O chefe da Ryanair, Michael O'Leary, que se referiu ao incidente como um sequestro patrocinado pelo Estado, disse nesta segunda-feira que acreditava que agentes de segurança estavam no voo e desembarcaram em Minsk.

Isso significaria que a operação foi efetivamente coordenada com espiões que operaram em solo na Grécia.

Uma universidade bielorrussa em Vilnius disse que uma de suas alunas, Sofia Sapega, de 23 anos, que estava viajando com Protasevich, também foi detida em Minsk. A universidade exigiu sua libertação.

A polícia lituana está interrogando os passageiros que mais tarde desembarcaram em Vilnius, após o voo ter finalmente chegado ao seu destino, e está examinando a aeronave, disse o chefe da polícia criminal, Rolandas Kiskis, a repórteres.

A investigação pode levar meses, disse o procurador-geral adjunto da Lituânia.

O governo lituano aconselhou seus cidadãos a evitarem viajar para Belarus e orientou aqueles que estão atualmente no país a partirem imediatamente. Também determinou às aeronaves que utilizam o aeroporto de Vilnius para evitar o espaço aéreo bielorrusso.

(Por Andrius Sytas e Nerijus Adomaitis)