Voto Castro-Lula 'é natural', diz André Ceciliano em entrevista

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Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual André Ceciliano (PT) vem protagonizando uma disputa acirrada com Alessandro Molon (PSB) para definir um candidato único da esquerda para a disputa pelo Senado nas eleições deste ano. Setores da esquerda questionam sua proximidade com governador Cláudio Castro (PL), aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ceciliano se esquiva das críticas argumentando que, como presidente da Alerj, precisa manter diálogo com todos os Poderes. Além disso, alfineta Molon ao afirmar que ele sempre defendeu a Lava-Jato e o ex-juiz Sergio Moro e diz que Lula pode subir num palanque com Eduardo Paes (PSD) e seu pré-candidato ao governo, Felipe Santa Cruz (PSD). Isso poderia gerar um constrangimento para a campanha de Marcelo Freixo (PSB), chamado de “meu candidato” por Lula na quinta-feira.

No ato com Lula, Molon disse que é preciso “enfrentar e derrotar Cláudio Castro sem conciliação e sem ambiguidades”, em uma crítica à sua proximidade com o atual governador, aliado de Bolsonaro. Como responde?

Eu, como chefe de Poder, tenho que ter um entendimento com os demais. Conversar com todos faz parte do meu perfil moderador. Não vejo isso como um defeito, mas sim como uma virtude.

Que nota daria para o governo Castro?

Não dá para avaliar nesse período curto. A gente sempre torce para que todos os governos sejam bons.

O senhor não consegue criticar o governador, já o chamou para sua festa de aniversário em seu sítio e aparece em fotos beijando a testa dele. Isso não ultrapassa a fronteira do diálogo institucional?

Quem convive comigo sabe que trato todo mundo com beijo e abraço. O Cláudio sabe que os meus candidatos são Freixo e Lula e eu sei que os candidatos dele são Bolsonaro e Romário. Nesse momento em que o Brasil vive essa polarização, ter alguém que conversa com todo mundo respeitando as posições políticas, é tudo que a gente queria, né?

Porém o senhor também chegou a influenciar algumas indicações e tem cargos no atual governo…

Tem muita história nisso, muito mito. O Max Lemos (ex-secretário de obras de Castro), por exemplo, eu apenas disse para o Cláudio: “Se eu fosse você, botaria o Max, que tem uma experiência, foi ex-prefeito”.

No ato do PT tinha um cartaz escrito “Castro-Lula” e pelo visto vários deputados farão santinhos com a sua imagem e do Cláudio Castro. Como administrar isso com a esquerda?

É natural, por questões locais, inclusive. Eu tenho apoio fora dessa aliança formal, de outro espectro político, que não só da esquerda. Tenho um apoio do União Brasil, do PP, do Avante. O eleitor faz essa dobrada muitas vezes. Vota no candidato de direita para o Executivo e no parlamentar de esquerda.

Em seu discurso na Cinelândia, chamar de “covardes” os que saíram do PT em momentos difíceis foi uma indireta para Molon?

Enquanto eu estava no palanque, tinha um pessoal do PSB orquestrado para me vaiar. Vi esse movimento e fui mais incisivo. Quem me conhece, sabe que sou uma pessoa do diálogo e da conciliação. O Molon que não quer conciliar com ninguém. Ele saiu do PT no pior momento e sempre defendeu Lava-Jato e Moro. Existe um acordo feito entre PT e PSB para a chapa e espero que seja cumprido. A política vai se ajustar. Se não ajustar, os dois serão candidatos.

Parte da classe artística que defende a candidatura Molon não identifica o senhor como um candidato de esquerda. Por quê?

Não conhecem a minha história. Toda experiência que eu acumulei nesses anos como prefeito duas vezes de Paracambi e agora presidente da Assembleia. O que vale são os princípios e não ser de esquerda da Zona Sul ou da Baixada Fluminense. Não podemos discutir o Brasil de frente para o mar e de costas para o povo.

Como vai se resolver essa questão de palanque Paes e Lula no Rio?

Teremos uma agenda no futuro com Paes apoiando o presidente Lula. Isso está claro para a direção do PT. A prioridade do Lula é eleger o Freixo, mas se ele vem ao Rio receber o apoio do prefeito da capital, como vai dizer para o Paes que não pode subir o Felipe Santa Cruz (apoiado por Paes ao governo) ou ser falado o nome dele? É impossível. Não se rejeita voto.

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