Voto nulo larga na frente na eleição do Rio

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Depois de ter cinco ex-governadores presos e um cassado, o Rio escolherá em outubro o próximo inquilino do Palácio Guanabara. Até aqui, a disputa só despertou o interesse dos políticos. De cada dez eleitores, quatro pretendem anular o voto ou ainda não sabem quem escolher.

Se a eleição fosse hoje, o vencedor seria o candidato “Ninguém”. Nulos, brancos e indecisos somam 39%, informou ontem o Ipec. Depois aparecem Cláudio Castro, com 20%, e Marcelo Freixo, com 14%. Os dois estão tecnicamente empatados no limite da margem de erro.

Na pesquisa espontânea, em que não é apresentada uma lista de concorrentes, a apatia é ainda maior: 72% dos eleitores não sabem ou não querem apontar um candidato. Isso indica um cenário indefinido, aberto a surpresas e reviravoltas.

Em 2018, Wilson Witzel chegou à semana da eleição em sexto lugar. Surfou a onda bolsonarista, atropelou os favoritos e quase venceu no primeiro turno. Eleito com discurso moralista, o ex-juiz caiu em meio a um escândalo de corrupção na saúde. Foi substituído por Castro, que agora tenta permanecer na cadeira.

O ex-vice de Witzel é apoiado pelas maiores máquinas políticas do Rio. Estão a seu lado os filhos de Sérgio Cabral, Eduardo Cunha e Jorge Picciani. Castro também se aliou ao clã Bolsonaro: trocou o PSC do Pastor Everaldo pelo PL do capitão. Ele ainda conta com o cofre cheio, turbinado pelos R$ 14 bilhões da venda da Cedae.

Freixo tenta se reinventar após perder duas eleições para prefeito do Rio. Seu maior desafio é se livrar da pecha de radical. Para isso, saiu do PSOL, contratou o antigo marqueteiro de Cabral e ofereceu a vice ao ex-prefeito Cesar Maia. A ver se as novas amizades e o apoio de Lula bastarão para torná-lo competitivo.

Enquanto Castro e Freixo pegam carona na polarização nacional, Rodrigo Neves busca viabilizar uma terceira via fluminense. Ele deixou a Prefeitura de Niterói com a popularidade em alta, mas será obrigado a explicar sua prisão num desdobramento da Lava-Jato. O pedetista acaba de receber o apoio de Eduardo Paes, que desistiu de lançar Felipe Santa Cruz.

Quem vencer a eleição herdará um estado machucado pelo esvaziamento econômico, pela corrupção e pela violência. Ontem uma operação policial deixou ao menos 18 mortos no Alemão. Castro aproveitou a deixa para renovar a aposta no bangue-bangue. O bolsonarista atacou a ordem do Supremo para restringir ações armadas nas favelas — decisão que seu governo nunca chegou a cumprir.

Leia mais: Cláudio Castro assume governo de joelhos para o clã Bolsonaro

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