"Vou acabar com vocês": teria dito bolsonarista que matou petista em festa

Viúva de Marcelo Arruda, Pâmela Silva afirmou que a ligação de Bolsonaro  com os irmãos da vítima foi um
Viúva de Marcelo Arruda, Pâmela Silva afirmou que a ligação de Bolsonaro com os irmãos da vítima foi um "absurdo". (Foto: Reprodução/TV Globo)

A policial civil Pamela Suellen Silva, viúva do guarda municipal Marcelo Arruda, deu detalhes de como seu marido foi morto durante a festa de comemoração aos 50 anos.

Ela prestou depoimento para a Polícia Civil do Paraná na última terça-feira (12) e a gravação foi obtida pela reportagem do portal UOL.

Pamela contou que o policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho ameaçou os convidados antes de cometer o crime. 'Eu vou voltar. E eu vou acabar com todos vocês'", relatou a viúva.

Guaranho teria feito essa intimidação enquanto manobrava o carro em frente ao salão de festa. À polícia, Pamela contou que Guaranho mostrou a arma antes de cometer o crime, mas de acordo com outras testemunhas, ele só teria indicado que estava armado após o aniversariante jogar terra em seu veículo.

"De repente, chegou o carro [que parou em frente à festa]. Esse cara abaixa o vidro e fala: 'PT lixo', 'Lula ladrão', 'Bolsonaro mito'. Então, o Marcelo fala: 'Vai embora! Aqui é uma festa particular'. Aí, o cara saca a arma. E o Marcelo pega um punhado de terra e arremessa na lataria do veículo, de forma a desviar a atenção do alvo. Porque ele já estava mirando", conta a viúva.

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), Guaranho foi indiciado ontem por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por causar perigo a outras pessoas, com pena que pode variar de 12 a 30 anos de prisão. Contudo, a Polícia Civil do Paraná descartou que o crime tenha sido por motivação política.

Pamela relatou ainda que achava que Guaranho estava sozinho no carro e que só notou que ele estava acompanhado quando a esposa dele abriu a porta traseira e saiu com uma bebê no colo.

Pamela explicou que depois de Guaranho sair, ela pediu para o caseiro do clube fechar o portão que dá acesso ao local da festa. Ela ainda se mostrou incomodada quando a delegada que investigava o caso, Iane Cardoso, questiona se a festa tinha sido divulgada nas redes sociais e se foram tocadas músicas do PT durante a comemoração.

“Doutora, me desculpe, mas eu não sei se isso tem alguma coisa a ver. Estávamos num clima de festa. Estávamos ouvindo música de tudo que é jeito", declarou.

A esposa de Marcelo também explicou que mostrou o distintivo policial a Guaranho, na tentativa de faze-lo sair de lá, mas que nesse momento ele já apontou a arma e atirou.

“Agi por instinto, não lembro o que eu fiz [no momento do tiroteio]. Lembro que houve os disparos, que o Marcelo disparou também. Lembro que houve muito tiro. Eu me abaixei e saí”. Marcelo foi socorrido por Pamela e encaminhado ao hospital. "Ele chegou consciente [ao hospital], mas não conseguiram controlar a hemorragia".

Parcialidade

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann reclamou da conduta da então delegada do caso, Iane Cardoso. De acordo com Gleise, a delegada teria feito postagens contrárias ao partido em 2016. A parcialidade da delegada também foi questionada pela família e pela defesa de Marcelo Arruda. O advogado Daniel Godoy afirmou que ficou preocupado pelo fato de o crime ter sido investigado por uma pessoa contrária ao partido da vítima. Após reclamações, Iane deixou o comando da investigação na segunda-feira (11), porém ela ainda auxilia o inquérito. No lugar dela ficou a delegada Camila Cecconello, que chefia a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

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