Vou beijar-te agora, hoje é carnaval: após dois anos de restrições, foliões vão às ruas e recuperam 'tempo perdido'

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RIO — Após dois anos de distanciamento social e fantasias aposentadas, os blocos são a oportunidade perfeita para beijar na boca de novo — e muito. Sem o pânico da Covid-19, cariocas e turistas estão aproveitando a festa para matar a saudade de aglomerar bastante, e claro, colecionar amores de carnaval.

É o caso do estudante de história Lucas Spelta, de 20 anos. Morador de Vitória (ES), ele veio para o Rio com grandes expectativas. Com uma meta inusitada, ele estipula a própria idade como a quantidade ideal de pessoas para beijar no carnaval.

— A gente sempre estipula a meta por idade. Eu tenho 20. Bateu 20, a gente dobra para 40 e assim vamos seguindo — disse Spelta.

Ele não é o único a projetar grandes objetivos durante o festejo. O técnico naval Luã Teixeira Lorencette, de 27 anos, contou que sua ideia foi sempre beijar muito. O também capixaba estreou no carnaval do Rio em fevereiro, quando, segundo ele, chegou a ficar com 150 pessoas:

— Eu nunca tinha vindo para a folia no Rio. Vim na primeira que teve, em fevereiro, e amei. No primeiro carnaval, fiquei com 150 pessoas. Agora, quero ultrapassar esse número.

A estudante carioca Isabela Seixas, de 29 anos, conta que não tem meta, mas é lógico que também quer dar uns beijos. No plural, diga-se.

— Vim para o bloco com vários propósitos. Dar uma curtida no carnaval, dar uns beijinhos na boca. A gente não tem meta, mas quando bate a meta, a gente bate. É uma luta diária — brinca.

Após dois anos "enclausurado" por conta da pandemia, o paulista Arthur Mokarzl trouxe para o Rio uma fantasia que deixa claro o que ele está a fim de distribuir por aí. De havaiano, ele escreveu nas costas "beijo free".

— Acabou a máscara, a gente nem pensa em Covid. Muito tempo sem poder beijar todo mundo, agora beijo na boca está liberado — anima-se.

Segundo Guilherme Werneck, professor de epidemiologia da UFRJ e da Uerj, o momento da pandemia no país é positivo. Ele ressalta, porém, que a cobertura vacinal não atingiu 90% no Rio:

— Obviamente que (o carnaval) é uma situação que favorece a transmissão, e, apesar do cenário positivo, é esperado que após eventos deste tipo haja um estímulo à transmissão e a ocorrência de novos casos.

Werneck reconhece que o carnaval é importante econômica e socialmente, mas lembra que a recomendação é que as pessoas busquem festejar em ambientes abertos e que não abandonem os cuidados para a proteção, como vacinação em dia, distanciamento e máscaras em locais fechados.

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