Deputada Mônica Seixas (PSOL) relata caso de racismo na Alesp

A co-deputada estadual Mônica Seixas, atuando pela Bancada Ativista do PSOL de São Paulo, foi a convidada do ‘Vozes da Nova Política’, programa do Yahoo! Notícias, publicado nesta quinta-feira (17).

Aos jornalistas Giorgia Cavicchioli, Matheus Pichonelli e João Conrado Kneipp, a parlamentar relatou os recorrentes casos de racismo e machismo que ela e outros integrantes da bancada enfrentam na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo).

RACISMO E MACHISMO NA ALESP

“Ontem (terça-feira - 16), no Plenário, a gente tava ouvindo um parlamentar que resolveu preservar o coleguinha, mas ele foi na tribuna contar que nós somos vítimas de piadas racistas nos bastidores. Nós, eu e Erika Malunguinho. Ele disse que falaram que ‘preto quando não faz cagada na entrada, faz na saída’ e que ele não ia admitir. Por mais que nós insistíssemos, ele não contou (quem foi) e preservou o ‘coleguinha’”, narrou a parlamentar.

“Nos tratam como menos deputada, quando eu falo me interrompem. Se eu peço uma questão de ordem ou dou qualquer comando regimental na Alesp eu noto que o presidente me ignora. Eu tenho que pedir para algum homem para repetir o mesmo comando, porque sinto que quando vem de outro parlamentar tem outra receptividade no Plenário. Estar nesse lugar é um lugar de dor”.

Essa foi a primeira vez que uma candidatura coletiva foi eleita no estado de São Paulo. A Bancada Ativista, formada por nove ativistas políticos de diversas áreas, recebeu 149.844 votos e foi a 10ª candidatura mais votada no estado no pleito para a Assembleia Legislativa.

A Bancada Ativista tem integrantes de diferentes correntes políticas, como filiados aos partidos Rede e PSOL, e também pessoas sem ligação formal com nenhuma legenda. Questionada sobre as diferenças entre a dinâmica de funcionamento da Bancada Ativista e outros movimentos supra-partidários, como o Renova BR e Acredito, a parlamentar explicou o que acredita ser a 'renovação' na política.

RENOVAÇÃO

“Renovação política para mim não é um conceito vazio: você pegar uma pessoa e coloca uma marca nela. Para mim e para os movimentos que componho, renovação política tem um objetivo muito específico: acessar aqueles que nunca estiveram no poder. Isso é renovar. (...) É colocar o povo preto, o povo pobre no poder. Isso é renovar, isso é novo. E para isso a gente precisa gostar das pessoas como elas são, da bagagem que elas tem, da formação que elas vieram”.

As propostas da bancada estão concentradas em sete linhas principais: “combate às desigualdades”; “educação e saúde libertadoras”; “cidades como espaços de produção de cultura”; “habitação e mobilidade para podermos ser e estar”; “segurança justa e humanizada”; “integração do social com o ambiente”; e “democracia de verdade”.

Assista outros episódios do Vozes da Nova Política:

Moradora de Itu (SP), Mônica destacou-se como liderança popular no período em que o município enfrentou um severo desabastecimento de água, em 2014. Foi candidata a prefeita da cidade na última eleição, é feminista, negra e ativista socioambiental.

Os demais ativistas são Anne Rammi, ciclista e ativista de causas ligadas à maternidade; Chirley Pankará, Indígena e pedagoga; Claudia Visoni, jornalista, ambientalista e agricultora urbana; Erika Hilton, transexual, negra e ativista de direitos humanos; Fernando Ferrari, militante contra o genocídio da juventude periférica e da participação popular no orçamento público.

Também fazem parte Jesus dos Santos, imigrante mordestino, militante da cultura, da comunicação e do movimento negro; Paula Aparecida, professora da rede pública, feminista e ativista pelos direitos dos animais; e Raquel Marques, sanitarista, ativista pela equidade de gênero e do parto humanizado.