Vulcões ativos produzem de 30 a 50% da atmosfera de Io, lua de Júpiter

Daniele Cavalcante
·3 minuto de leitura

A lua Io, de Júpiter, é o lugar mais vulcanicamente ativo do Sistema Solar, com nada menos que 400 vulcões, e algumas pesquisas já indicaram que este mundo é dominado por dióxido de enxofre. Mas os cientistas ainda não compreendem muito bem o processo que movimenta a dinâmica atmosférica desta lua. Por isso, uma equipe realizou uma pesquisa para mostrar pela primeira vez o efeito direto da atividade vulcânica na atmosfera de lá.

É certo que os vulcões ativos exercem grande influência na atmosfera de Io, afinal eles estão expelindo gases de enxofre o suficiente para deixar a lua com cores em diversos tons de laranja e vermelho, quando congelam na superfície. Mas quais são os efeitos reais disso na atmosfera? Para descobrir, a equipe liderada por Imke de Pater, na Universidade da Califórnia, usou imagens de rádio de Io obtidas pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA).

Com essas imagens, os pesquisadores conseguiram um vislumbre do que está acontecendo naquela atmosfera fina — cerca de um bilhão de vezes mais fina que a atmosfera da Terra — e, de quebra, revelar um pouco sobre o interior dessa lua “infernal”, ou seja, abaixo de sua crosta alaranjada.

A primeira coisa que os cientistas buscaram entender é "qual processo impulsiona a dinâmica na atmosfera de Io", de acordo com Pater. "É uma atividade vulcânica ou gás que se sublima (passa do estado sólido diretamente para gasoso, sem passar pelo líquido) da superfície gelada quando Io está sob a luz do Sol?", questiona o pesquisador.

Para responder essa pergunta, o ALMA foi programado para capturar imagens da lua quando ela entrava e saía do “eclipse”, ou seja, da sombra de Júpiter. É que o único jeito de saber como os vulcões influenciam a atmosfera é observando quando a lua deixa de receber os efeitos da própria luz do Sol. Por isso, era preciso antes de mais nada esperar Io entrar na sombra de seu planeta, deixando de receber a luz solar.

Statia Luszcz-Cook explica o resultado do estudo, dizendo que "quando Io passa para a sombra de Júpiter e está fora da luz solar direta, fica muito frio para o gás de dióxido de enxofre e ele se condensa na superfície de Io”, disse ela. Além disso, a equipe conseguiu ver nitidamente nas imagens do ALMA as nuvens de dióxido de enxofre e monóxido de enxofre subindo diretamente dos vulcões durante o eclipse. “Só pudemos ver o dióxido de enxofre de origem vulcânica” e, portanto, “podemos ver exatamente como grande parte da atmosfera é afetada pela atividade vulcânica”, disse a pesquisadora.

Mas além do dióxido de enxofre e monóxido de enxofre, a equipe também encontrou um terceiro gás saindo dos vulcões, o cloreto de potássio, emitido em regiões vulcânicas onde não foram encontrados os outros dois gases. "Esta é uma forte evidência de que os reservatórios de magma são distintos em diferentes vulcões", disse Luscz-Cook. Por fim, analisando os dados dessas imagens, a equipe calculou que os vulcões ativos produzem diretamente entre 30 a 50% da atmosfera de Io.

Ainda há mistérios para desvendar em Io, como a temperatura de sua atmosfera, o que só poderá ser determinado com um estudo atencioso, que possa fazer medições por um longo período. “Só podemos fazer isso quando Io está sob a luz do sol, pois não leva muito tempo em um eclipse”, disse de Pater, acrescentando que será necessário um software para fazer imagens sem manchas.

Fonte: Canaltech

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