Wajngarten: Falei com a Pfizer e avisei Bolsonaro no mesmo dia

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Ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência, Fabio Wajngarten. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência, Fabio Wajngarten. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
  • Fabio Wajngarten afirmou que avisou o presidente Jair Bolsonaro no dia em que participou da reunião com a Pfizer

  • Ex-secretário confirmou que carta de laboratório ficou meses sem resposta por parte do governo brasileiro

  • Wajngarten disse que, quando soube da falta de resposta, agiu prontamente

Questionado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o ex-chefe da Secretaria de Comunicação de Jair Bolsonaro, Fábio Wajngarten, afirmou que só se envolveu na negociação de vacinas para "ajudar" e "criar atalhos" para que a população tivesse o melhor imunizante possível.

Em sua fala na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, Wajngarten explicou que a carta da farmacêutica Pfizer foi enviada a diversos membros do governo no dia 12 de setembro. Segundo ele, no dia 17 de novembro, houve uma reunião com o CEO da Pfizer sobre vacinas. Em seguida, avisou o presidente Jair Bolsonaro.

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Wajngarten afirmou que a carta da Pfizer foi enviada a Bolsonaro, ao seu gabinete, ao ministro Paulo Guedes e ao então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Questionado sobre como agiu, Wajngarten disse ter respondido a carta no dia 9 de novembro e afirmou ter recebido no mesmo dia um telefonema do então presidente da Pfizer, Carlos Murillo.

O ex-secretário afirmou que entrou nas discussões a respeito da aquisição de vacinas, a pedido do dono de um veículo de comunicação. No entanto, posteriormente, Wajngarten afirmou que nunca participou das discussões.

Wajngarten afirmou que a proposta inicial da empresa abordava inicialmente "irrisórias" 500 mil doses de vacinas, mudando uma versão anteriormente alegada em uma entrevista recente.

Ex-chefe da Secom muda versão

Em depoimento na CPI da Covid no Senado, o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten mudou a versão dada em entrevista à revista Veja. Nesta quarta-feira (12), ele negou que tenha participado de negociações para a compra de vacinas da Pfizer.

"Em nenhum momento a Secom (Secretaria de Comunicação) negociou valores, negociou condições contratuais", disse Wajngarten, ao ser questionado por Renan Calheiros.

Por outro lado, ele afirmou ter condições técnicas de fazer a negociação. "Primeiro porque minha formação é jurídica, segundo porque tenho experiência na negociação de contratos internacionais", declarou.

A fala de Wajngarten na CPI contraria o que ele disse em entrevista à revista Veja. À publicação, o ex-secretário afirmou: "Me coloquei à disposição para negociar com a empresa, antevendo o que estava para acontecer: o presidente seria atacado e responsabilizado pelas mortes. A vacina da Pfizer era a mais promissora, com altos índices de eficácia, segundo os estudos".

Em abril, ele ainda revelou que as negociações avançaram. Na CPI, a postura foi diferente. "Não participei de negociação propriamente dita, eu quis encurtar e aproximar pontas, diante de uma carta que não foi respondida. E a comunicação sofria com isso, diante dos questionamentos que recebíamos", afirmou nesta quarta-feira.

Wajngarten ainda negou que a Pfizer tenha oferecido 70 milhões de doses da vacina contra a covid-19. O ex-Secom falou em um número "irrisório" de 500 mil doses do imunizante. "Isso foi objeto de grande discussão minha com a Pfizer, porque eu sempre busquei mais vacina no menor prazo", disse Wajngarten.

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