Walking Football: conheça o futebol no qual é proibido correr

O ex-jogador do Liverpool Phil Neal participa de uma sessão de walking football organizada pelo clube (Colin McPherson/Corbis via Getty Images)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Já imaginou uma partida de futebol na qual os jogadores são proibidos de correr? Na Inglaterra, isso existe. Trata-se do "walking football", uma versão adaptada do esporte mais popular do mundo. Nessa modalidade, andar em campo é regra!

Essa variação do jogo surgiu em 2011 na cidade de Chesterfield, no condado de Derbyshire. O motivo: estimular pessoas mais velhas ou com capacidade física reduzida a se manterem ativas no esporte e socialmente. A prática já reúne mais de 40 mil adeptos na Inglaterra, entre homens e mulheres, em categorias de jogadores acima de 50, 60 e 70 anos.

Leia também

A principal regra é a que dá nome ao jogo: só é permitido andar em campo - em inglês, walk significa caminhar. Assim como acontece na marcha atlética, os jogadores não podem tirar os dois pés do chão ao mesmo tempo. Qualquer corridinha é falta. Além disso, o contato físico é mínimo e a bola não pode ser lançada a uma altura acima da cabeça. Em resumo, é futebol, mas com muito menos esforço.

As adaptações permitem que a modalidade seja acessível a qualquer pessoa, melhorando a saúde e minimizando riscos de doenças.

"Fui árbitro de futebol por aproximadamente 20 anos e não tenho feito muita coisa nos últimos 15 anos, tendo passado por uma cirurgia no joelho. Mas isso (o jogo) é absolutamente incrível. Posso ficar um pouco mais em forma de novo", disse Trevor Sullivan, de 72 anos, à BBC. Ele é praticante de walking football na equipe Bicester Fossils FC.

"É fantástico para tirar as pessoas de casa, especialmente as que vivem sozinhas. Temos jogadores com problemas de saúde mental que se beneficiaram bastante de seu envolvimento no walking football", contou John McKellar ao site da Fifa em fevereiro deste ano. McKellar é treinador e fundador do time BayCity Strollers.

As partidas de walking football podem ser disputadas em equipes de cinco, seis ou sete jogadores para cada lado. O campo varia entre 25 e 37 metros de largura e comprimento entre 35 e 55 metros - praticamente a metade das medidas praticadas em um jogo de futebol tradicional. Em algumas ocasiões, os gols também têm o tamanho reduzido.

Desde o seu surgimento, a modalidade vem ganhando apoio na Inglaterra. A Football Association (federação inglesa de futebol) acolheu o esporte e publicou um livro de regras com a intenção de padronizar o jogo. O Manchester City também aderiu à causa e passou a estimular a prática na comunidade local. O atacante Harry Kane, astro do Tottenham e seleção inglesa, já participou de partidas comemorativas de walking football. Tudo isso, fez com que o jogo se tornasse cada vez mais aceito entre os ingleses - estima-se que existam mais de mil times da modalidade no país.

"O walking football proporciona a oportunidade ideal para as pessoas socializarem e se envolverem em uma atividade regular, muitas vezes em uma fase da vida que o desenvolvimento de novas amizades pode ser difícil", avaliou Steve Rich, de 55 anos, fundador da Walking Football United, ao jornal britânico The Telegraph.

Mas o futebol em ritmo de caminhada não se limitou somente à Terra da Rainha. Outros países do Velho Continente também passaram a jogá-lo. Tanto é que neste ano foi realizado o primeiro Campeonato Europeu de Walking Football. O torneio aconteceu no dia 9 de junho no estádio do Chesterfield FC, clube da cidade pioneira da prática, e reuniu as seleções da Inglaterra, Itália e País de Gales nas categorias acima de 50 e 60 anos em jogos de 50 minutos.

Na competição inaugural, os ingleses saíram como grande vencedores. Eles enfrentaram a Itália na final das duas categorias e levaram a melhor em ambas - 4 a 1 (acima de 50 anos) e 3 a 1 (acima de 60 anos).

"Este é outro marco significativo para o esporte, fornecendo mais evidências do crescente interesse pelo walking football em todo mundo. É ótimo podermos organizar o torneio em Chesterfield, onde o jogo foi criado", disse Paul Carr, presidente-executivo da Associação de Walking Football.

Após a primeira experiência, já há iniciativas para a realização de uma competição intercontinental da modalidade no ano que vem.

No que depender da paixão pelo esporte, o walking football vai caminhar a passos largos.

Siga o Yahoo Esportes: Twitter | Instagram | Facebook | Spotify | iTunes