Walter Casagrande diz que recuperou lado chorão após reabilitação: 'Quando usava droga, não sentia'

Walter Casagrande não tem mais falado só sobre futebol. Quer nas entrevistas mostrar outros lados de sua vida. Tem definido como uma transição de carreira, desde que deixou a TV Globo, após 24 anos como comentarista esportivo.

"É visível a transição de carreira que venho experimentando. Antes, muito limitado à área de esporte e ao futebol, na Globo, eu não tinha como fazer escolhas. Muitas pessoas que me viam na emissora não sabiam direito como eu era. Não tinha espaço para desenvolver raciocínios sobre assuntos para além do esporte. Hoje, já sabem o que penso sobre temas diversos. Conhecem mais a minha infância, adolescência, os problemas que enfrentei, os traumas emocionais e o porquê de eu pensar dessa maneira", disse o comentarista à revista "29 horas".

Recentemente, apareceu em lágrimas ao relembrar a sua história. E não foi motivo de vergonha. É uma celebração. Afinal, foi durante a reabilitação contra as drogas que "Casão" aprendeu como liberar as emoções para se curtar.

"Quando eu usava droga com intensidade, eu não sentia as emoções, porque ela congela os sentimentos. Ao ser internado em uma clínica, a grande tarefa foi descongelar os sentimentos. Foi difícil, porque eu me percebia emocionado e não sabia o que era aquilo. Com o tempo, porém, aprendi, durante o meu tratamento, que eu não deveria segurar as emoções. Segurá-las gera uma revolta contra nós mesmos. O que nos deixa leve, livre, sem remorsos é amar alguém e dizer isso a pessoa. E, mais ainda, sentir saudade e externar isso. Somente assim eu pude dizer ao Magrão (Sócrates, ex-jogador do Corinthians e da Seleção Brasileira), antes de ele morrer, que eu o amava, que eu sentia amor por ele".

Nessa nova fase da vida, a ex-estrela do Corinthians só tem ainda tentado acertar um tempo maior com a família.

"Eu adoro criança. Fui pai cedo, aos 23 anos. Sempre me diverti como pai. Trazia presentes a eles, quando retornava de Copa do Mundo ou de Olimpíada. Eu dei aos meus filhos tudo o que os meus pais não tiveram condições de me dar. Tiveram o prazer de ter camisas de várias seleções que eu trazia de viagens. Já com os meus netos, Henrique, 8 anos, e Davi, 5, o contato é mais raro, hoje. Porque, ao sair da Globo, venho acumulando compromissos diariamente e em horários diferentes. No ano que vem talvez eu consiga ter uma relação mais próxima deles todos".