Novas imagens do James Webb mostram pontos nunca antes vistos do universo

A Nasa divulga nesta terça-feira as primeiras imagens do Observatório James Webb, o maior e mais caro telescópio já produzido, inaugurando uma nova era da exploração especial. O instrumento permite a observação de pontos nunca antes vistos do universo, e a expectativa é que ajude a Humanidade a ver as primeiras galáxias formadas logo após o Big Bang, há 14 bilhões de anos, e a responder questões-chave para o estudo do cosmos.

As imagens desta terça, que deverão ser apresentadas por volta de 11h30, são um aperitivo do que o Webb, que orbita o sol a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, deve mostrar nos próximos anos. Já sinalizam, contudo, a importância do projeto encabeçado pela Nasa, mas que conta também com a participação das agências espaciais canadense e europeia: são uma janela para o passado do universo, mas para o futuro da ciência.

— O lançamento do James Webb representa uma conquista significativa para a humanidade e a abertura de uma nova era na astronomia — disse ao GLOBO Jaziel Goulart Coelho, professor do núcleo de Astrofísica e Cosmologia da Universidade Federal do Espírito Santo. — Ele permitirá abordar questões fundamentais sobre a natureza do universo e o ciclo cósmico de estrelas, planetas e a vida.

As imagens que serão divulgadas em alguns minutos incluirá o planeta WASP-96 b, do Quinteto de Stephan (um grupo de cinco galáxias na constelação de Pégaso), da Nebulosa do Anel Sul e da Nebulosa Keel.

Houve ainda uma prévia na segunda, quando a primeira foto do telescópio, que orbita o sol a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, foi divulgada na noite de segunda em um evento especial na Casa Branca, com a presença do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Ela mostra um pedaço distante do céu, quando as galáxias recém-nascidas tornavam-se visíveis apenas 600 milhões de anos após o Big Bang.

Ela mostrava o aglomerado de galáxias SMACS 0723, a cerca de quatro bilhões de anos-luz de distância. A imagem revela um pedaço do céu visível do Hemisfério Sul na Terra e frequentemente fotografado pelo Hubble e por outros telescópios em busca do passado profundo.

Os astrônomos usam esse aglomerado de galáxias como uma espécie de telescópio cósmico. O enorme campo gravitacional do aglomerado atua como uma lente, distorcendo e ampliando a luz de galáxias localizadas atrás dele que, de outra forma, seriam muito fracas e distantes para serem vistas.

O telescópio, que levou 25 anos da concepção ao lançamento e custou cerca de US$ 10 bilhões, foi lançado no Natal do ano passado, de uma base na Guiana Francesa. Ele é batizado em homenagem a James Webb, o gerente da Nasa durante os anos das missões Apolo, que levaram o homem à Lua em 1969.

O Webb é um das missões mais complexas já produzidas pela Nasa, e foi um desafio de engenharia do início ao fim: inicialmente concebido em 1996, a previsão era que o telescópio custasse cerca de US$ 500 milhões e levasse uma década para ficar pronto. Quando o desenho ficou pronto, contudo, ficou claro que não custaria menos de US$ 1 bilhão e que 10 anos não seriam suficientes.

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