Websérie propõe jogos ópticos usando teatro de animação e recursos audiovisuais

O Globo
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RIO — Certa vez, o casal Alexandre Guimarães e Letícia Medella, que mora no Andaraí, conversava sobre pontos de vista quando teve a ideia de criar o boneco de um olho só chamado Optiké. O personagem agora estrela o mais novo trabalho da Cia. De La Mancha: a websérie “Optiké — O que você vê?”, que une teatro de animação e audiovisual. Em quatro capítulos, com cerca de dez minutos de duração cada, ela vai ao ar aos sábados, às 11h, no YouTube. O primeiro episódio chama-se “Bolas!” e conta como Optiké fica obcecado pelo ritmo e movimento das... bolas.

Guimarães é o responsável pela confecção e a manipulação do boneco, Letícia dirige os episódios e sua irmã Isadora Medella (a outra ponta da companhia criada pelos três em 2013) é a responsável pela trilha sonora e pelo vídeo. Ele explica que a principal referência artística do trio é o trabalho do artista plástico islandês Olafur Eliassom.

— Ele discute a percepção por meio de jogos ópticos e das relações da obra com o espectador. Logicamente não poderíamos deixar de fora outras fontes, como o matemático japonês Kokishi Suguihara, especialista em ilusões, além de artistas de optical-art e de concretistas brasileiros como Aluísio Carvão e Carlos Vergara — diz.

Neste sábado (17), entra no ar “Não aperte o botão!”, no qual o personagem descobre que a luz influencia o que se vê. Dia 24, em “Mistério...”, Optiké faz mágica e prova que tudo é uma questão de ponto de vista. O último episódio, “ékitpO?”, mostra como brincar com a refração da luz traz novas perspectivas para o corpo. Todos serão exibidos às 11h, e a censura é livre.

Letícia conta que o apartamento do casal já era adaptado ao trabalho, com um quarto só para o ateliê e móveis que podem ser facilmente desmontados para que haja um ensaio. A websérie na pandemia só reforçou a proposta.

— Um quarto de dormir virou estúdio, e o celular serve de câmera. No teto colocamos varões de cortina, e assim ganhamos um grid de luz e um fundo para um ciclorama. Nesse espaço o gato não entra de jeito nenhum! — brinca.

Guimarães diz que os dois são fãs da natureza e que o Andaraí, a meio caminho entre os parques do Grajaú e da Tijuca, é ótimo nesse ponto.

— O ritmo do bairro nos levou a uma vida mais diurna e tranquila. Acordar ao som de maritacas e bem-te-vis não tem preço. Por enquanto, impossibilitados de ir aos parques, pegamos sol com o gato na varanda, com a bela vista do Sumaré — diz ele.

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