The Weeknd se apresenta hoje intervalo no Super Bowl e expectativa é de show épico

Ricardo Ferreira
·4 minuto de leitura

Muito longe de ser apenas uma final de campeonato, o Super Bowl, evento que consagra o campeão da NFL, liga nacional de futebol americano, gera anualmente um caminhão de expectativas não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Por conta, claro, do jogo em si, mas também pelo espetáculo musical que tradicionalmente acontece nos intervalos da partida — no ano passado, com shows de Shakira e Jennifer Lopez, a audiência ultrapassou 102 milhões de telespectadores somente nos Estados Unidos. Hoje, às 20h30 (a transmissão ao vivo, pela ESPN, começa às 20h), o time da casa Tampa Bay Buccaneers recebe o atual campeão da liga, Kansas City Chiefs, no Raymond James Stadium em Tampa Bay, na Flórida. E se dentro das quatro linhas as atenções estarão voltadas para o duelo entre Tom Brady e Patrick Mahomes, líderes de cada uma de suas equipes, respectivamente, os holofotes no intervalo estarão apontados para o cantor e compositor Abel Makkonen Tesfaye. Ou The Weeknd, como ele mesmo se batizou artisticamente.

Nascido em Toronto, no Canadá, filhos de pais etíopes, o rapper The Weeknd é hoje, segundo a gravadora Universal Music, o artista mais escutado no mundo no Spotify, com 51 bilhões de streams e mais de 67 milhões de ouvintes mensais na plataforma. Devoto de um R&B que bebe fortemente na estética dos anos 1980, o canadense de 30 anos está na crista da onda, e não à toa foi o escolhido da vez para subir ao palco no evento deste ano. Ele mesmo afirmou ter investido cerca de R$ 38 milhões na estrutura do show de hoje.

Contrariando rumores que se estenderam nos últimos dias (falou-se até em uma possível presença de Beyoncé), The Weeknd confirmou em entrevista coletiva para a imprensa, na última quinta-feira, que não terá em seu show a participação de nenhum convidado. “Não havia espaço para encaixar na narrativa e na história que eu estava contando na performance. Então, não há convidados especiais”, afirmou. O repertório deve seguir um roteiro de hits, como “Blinding lights”, “In your eyes”, “Heartless” e “After hours”. As músicas, aliás, estão no álbum “The highlights”, lançado na última sexta-feira, que reúne sucessos do cantor.

Ano passado, quando o Kansas City Chiefs de Patrick Mahomes venceu o San Francisco 49ers em Miami, diante de mais de 62 mil pessoas, Shakira e Jennifer Lopez fizeram uma apresentação de gala no intervalo, levando o público — no estádio e em casa — ao delírio. O jornalista dos canais ESPN e Fox Sports Fernando Nardini, que vai narrar a grande final de hoje, cobriu a o Super Bowl do ano passado in loco.

— Na experiência, tinha muita curiosidade de ver a logística, a dinâmica da montagem e desmontagem do palco. É algo à altura do Super Bowl, um evento sensacional. Tudo acontece muito rápido, funciona superbem. A Shakira e a J-Lo chacoalharam o estádio, faziam parte dessa atmosfera elétrica do evento — diz o narrador, lembrando de outros shows memoráveis do Super Bowl:

—Muitos nomes já passaram por ali. O U2 fez o primeiro show do intervalo depois dos atentados de 11 de setembro, foi algo marcante, especial, lembro do nome das vítimas passando no telão e o Bono no meio da galera. O show do Michael Jackson, com “Heal de World” em 1993... Foram apresentações espetaculares — recorda Nardini, que terá a companhia do comentarista Paulo Antunes na transmissão, remota este ano por causa da pandemia.

Além dos comerciais

Não bastasse o jogo que consagra o campeão da última temporada da NFL e o show faraônico que se espera de The Weeknd, os comerciais que antecedem o encontro televisionado também são, tradicionalmente, motivo à parte para prestar atenção na televisão hoje à noite. O disputadíssimo espaço publicitário que permeia a partida — o mais caro do mundo — é sempre terreno fértil para campanhas inspiradas. No ano passado, por exemplo, o Facebook lançou um filme com Silvester Stallone e o ator Chris Rock, recriando a atmosfera da lendária franquia de Rocky Balboa, que movimentou a internet. Por outro lado, redirecionando os investimentos durante a pandemia, marcas como a Coca-Cola e a Budweiser, anunciantes de carteirinha, preferiram se ausentar do espaço neste ano.

Além dos comerciais, os intervalos podem ser boas oportunidades para cinéfilos terem um gostinho do que vem por aí entre as produções dos grandes estúdios americanos. Segundo o site Deadline, a Disney pode adiantar o trailer de um de seus próximos longas, como “Falcão e o soldado universal” e “Viúva negra”. A Universal Studios deve apresentar uma prévia de “Old”, do cineasta M. Night Shyamalan, enquanto a Paramount, em parceria com a Amazon, deve liberar o trailer de “Um príncipe em Nova York 2”, continuação do clássico de 1988 estrelado por Eddie Murphy.

Ouça o novo álbum "The highlights", de The Weeknd: