Harvey Weinstein é condenado por agressão sexual e estupro

O ex-produtor de Hollywood Harvey Weinstein foi condenado por agressão sexual e estupro por um júri de Nova York nesta segunda (24).

Um dos produtores mais poderosos de Hollywood desde a década de 1990, Weinstein, 67 anos, foi considerado culpado por duas acusações - um ato de agressão sexual em primeiro grau e um estupro.

No entanto, o painel do júri, que foi composto por 6 mulheres e 7 homens, absolveu Weinstein de duas acusações ainda mais graves de agressão sexual. O júri afirmou acreditar no depoimento das mulheres envolvidas nos dois casos em questão.

Após a análise das provas, o ex-magnata do cinema foi condenado por agredir sexualmente a ex-assistente de produção Mimi Haleyi em 2006 e estuprar em 2013 a atriz Jessica Mann.

Ele pode pegar até 25 anos de prisão por condenação por assédio sexual.

O julgamento de Weinstein foi um marco para o movimento #MeToo que inspirou as mulheres a tornarem públicas as denúncias de violência e assédio de homens, poderosos ou não, em todo o mundo. 

Desenho de Harvey Weinstein durante julgamento realizado em Nova York nesta segunda (24). (Photo: JANE ROSENBERG / Reuters)

Weinstein era famoso por conseguir emplacar filmes não tão aclamados no Oscar, como O Paciente Inglês e Shakespeare Apaixonado.

Mas mais de 80 mulheres, incluindo atrizes famosas, vieram a público para o acusar de má conduta sexual ao longo das décadas em que trabalhou no mundo do cinema. Ele negou as acusações e disse que os encontros sexuais foram consensuais.

Após o julgamento desta segunda, algumas das vítimas de Weinstein escreveram um manifesto sobre o resultado.

“Embora seja decepcionante que o resultado de hoje não ofereça a verdadeira e plena justiça que tantas mulheres merecem, Harvey Weinstein será agora conhecido para sempre como um predador em série condenado”, diz o texto.

“Essa convicção não seria possível sem o testemunho das mulheres corajosas e de tantas outras que se manifestaram. Apesar da intimidação da equipe jurídica de Weinstein, elas tornaram públicas suas histórias corajosamente. Esse processo teve defeitos desde o início do julgamento, mas expôs ainda mais as dificuldades que as mulheres enfrentam em apresentar a verdade sobre agressores poderosos. A nossa coragem será para sempre lembrada na história. Nossa luta está longe de terminar”, acrescentam. 

Paul Callan, ex-promotor de Nova York que não está envolvido no caso, disse que Weinstein tinha fortes argumentos para que o veredicto fosse revogado, observando que um dos jurados estava escrevendo livro sobre meninas adolescentes e homens mais velhos “predadores”.

Durante o julgamento, os promotores descreveram Weinstein como um predador em série que manipulou mulheres com promessas de abrir portas em Hollywood, persuadindo-as a acompanhá-lo para quartos de hotel ou apartamentos privados e depois dominando-as e atacando-as violentamente.

“O homem sentado ali não era apenas um titã em Hollywood, ele era um estuprador”, disse o promotor assistente de Manhattan Meghan Hast durante as discussões iniciais.

Sentado com seus advogados de defesa, Weinstein costumava parecer impassível, embora às vezes olhasse atentamente para seus advogados quando eles interrogavam seus acusadores.

O ex-produtor é alvo de processos desde outubro de 2017, quando uma série de notícias e investigações foram publicadas no New York Times e no The New Yorker.

As reportagens detalhavam algumas das séries de acusações contra o produtor, que partiram de depoimentos de artistas como Ásia Argento, Rose McGowan, Gwyneth Paltrow e Lupita Nyong’o acusando-o de abuso sexual.

Porém, a maioria dessas acusações foram impedidas de se tornarem ações legais. O cenário mudou em janeiro deste ano, quando o julgamento iniciado pelas artistas Haleyi e Mann ganhou fôlego.

Haleyi disse que conheceu Weinstein na estréia de um filme e depois o abordou em busca de trabalho; ele lhe deu um emprego na The Weinstein Company, sua agora extinta produtora, e ela passou a fazer parte da equipe do reality show “Project Runway”.

Pouco antes de uma viagem em julho de 2006 para Los Angeles, paga pela empresa de Weinstein, ele a agrediu. Ele a convidou para sua casa em Manhattan, retirou um absorvente do corpo e fez sexo oral à força, disse ela.

Sete anos depois, Weinstein estuprou Mann.

Em seu depoimento ao júri, ela disse que ainda era relativamente nova em Hollywood quando conheceu Weinstein em uma festa em Los Angeles. Durante uma reunião inicial, Mann acabou fazendo uma massagem em Weinstein, para que “ele não tivesse que tocá-la”, disse o promotor Meghan Hast aos jurados.

O produtor então alterou os papéis de um dos filmes que produzia para manter Mann sob o seu controle. Em março de 2013, depois que ela o convidou para uma reunião de café da manhã em um hotel onde ela estava hospedada - um Doubletree no centro de Manhattan - ele supostamente subiu ao quarto dela, injetou um medicamento para ereção e a estuprou.

As duas mulheres afirmaram que continuaram a manter contato com o produtor após os episódios por causa de suas carreiras.

A experiência vivida por Mann foi particularmente desafiadora para os promotores entenderem, porque o seu relacionamento com Weinstein incluía algum sexo consensual, o que pode tornar mais difícil provar uma acusação de estupro em um ambiente tradicional de tribunal.

Segundo Joan Illuzzi-Orbon, um dos promotores, o contato de Weinstein com as vítimas serviam como uma maneira de manter o controle sobre elas, “para que elas não saíssem do silêncio e o chamassem exatamente do que ele era: um estuprador abusivo”.

“Ele estava errado”, disse Illuzzi-Orbon em seu argumento final.

Os advogados de Weinstein, por outro lado, tentaram pintar Haleyi e Mann como mentirosas e não confiáveis.

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