Weintraub defende a senadores manutenção de provas do Enem em novembro

Amanda Almeida

BRASÍLIA - Criticado por senadores pela manutenção do Enem em novembro, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, participou de surpresa de uma reunião de líderes da Casa para defender sua posição. A parlamentares, disse que o eventual adiamento do exame frustraria a expectativa de "milhões de aluno".

Apesar de apelos de parlamentares, o Ministério da Educação tem mantido o cronograma do Enem. As inscrições para o exame devem ocorrer entre 11 e 22 de maio.

No Congresso, há projetos que preveem o adiamento das provas, como dos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Daniella Ribeiro (PP-PB). Senadores têm pressionado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a pautá-los, diante da resistência de Weintraub em adiar as provas.

Entre os argumentos, parlamentares alegam que, independentemente de a situação da pandemia estar controlada no país em novembro, a realização das provas nesse mês será injusto com alunos da rede pública, já que, diferentemente das escolas privadas, eles não têm tido aula neste período de isolamento social.

Sem avisar aos líderes antes da reunião, feita por videoconferência, Alcolumbre cedeu seu lugar a Weintraub por cerca de meia hora. O ministro insistiu que o exame deve ocorrer em novembro, prevendo que, até lá, o país volte à normalidade.

Foi contestado por senadores, como Eliziane Gama (Cidadania-MA), que argumentou que será um exame marcado pela desigualdade. O ministro propôs, então, que o cenário seja reavaliado em agosto. Com a insistência de parlamentares, cedeu a um novo encontro em junho, para voltar a discutir o tema.

Com a insistência do ministro em manter o calendário das provas, senadores continuaram defendendo que o Congresso as adie.

- O ministro está irredutível, não aceita adiar e disse que o Enem não existe para fazer justiça social. Um absurdo. Milhares de estudantes estão prejudicados porque não tem em casa a mesma estrutura que uma escola pode oferecer para estimular o aprendizado e não poderão participar do Enem em condições de igualdade - diz Weverton Rocha (MA), líder do PDT.