Bomba no DF: Blogueiro cearense foragido teve cargo no governo Bolsonaro

Ele teve um cargo comissionado na Diretoria de Promoção e Fortalecimento de Direitos da Criança e do Adolescente entre fevereiro e outubro de 2019.

Wellington Macedo de Souza, suspeito de envolvimento em ataque a bomba no DF, teve cargo no governo Bolsonaro; Blogueiro ocupou cargo na pasta de Damares Alves - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Wellington Macedo de Souza, suspeito de envolvimento em ataque a bomba no DF, teve cargo no governo Bolsonaro; Blogueiro ocupou cargo na pasta de Damares Alves - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Wellington Macedo de Souza, 47 anos, blogueiro cearense procurado por tentar explodir uma bomba perto do aeroporto do DF, teve um cargo no governo Bolsonaro e pediu dinheiro através das redes sociais para se esconder da polícia quando já estava foragido. As informações foram divulgadas neste domingo pelo programa "Fantástico" da TV Globo.

O blogueiro, natural de Sobral, no interior do Ceará, foi assessor da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Ele teve um cargo comissionado na Diretoria de Promoção e Fortalecimento de Direitos da Criança e do Adolescente entre fevereiro e outubro de 2019.

Frequente nas redes sociais, Wellington teve a prisão decretada por Alexandre de Moraes por incentivar atos antidemocráticos no dia 7 de setembro de 2021. Desde então, cumpria prisão domiciliar e usava tornozeleira eletrônica. Mesmo assim, frequentava o acampamento bolsonarista.

Wellington também coleciona processos por vídeos atacando políticos locais e professores da rede de ensino de Sobral. O ex-advogado de Wellington Macedo, Diego Petterson, o defendeu em mais de 60 casos, mas afirmou que não possui mais contato com o cearense.

"Atualmente eu não tenho contato direto com ele desde que foi residir no Distrito Federal", disse Diego.

A reportagem do Fantástico, divulgou imagens das câmeras de uma loja e do próprio caminhão onde a bomba foi plantada, do momento em que o carro de Wellington se aproxima lentamente do veículo, para que o cúmplice Alan Diego dos Santos Rodrigues coloque a bomba. Os dois homens e George Washington Oliveira de Sousa tiveram as denúncias aceitas pela Justiça.

Ainda de acordo com o delegado da Polícia Civil do Distrito Federal, Leonardo de Castro Cardoso, o blogueiro teve participação direta nos ataques contra o prédio da Polícia Federal em Brasília no dia 12 de dezembro do ano passado. Na ocasião, bolsonaristas radicais tentaram invadir prédio da PF e incendiaram veículos.

"Nós conseguimos comprovar que no dia 12 de dezembro o cearense e o outro praticaram também atos de depredação. A prisão dos dois também foi decretada. Eles têm dois mandados de prisão em aberto em cada um deles", disse o delegado.

No dia que a bomba foi colocada no caminhão-tanque próximo ao aeroporto de Brasília, Wellington já era foragido da Operação Nero, por tentativa de invasão ao edifício-sede da Polícia Federal.

O blogueiro cearense no dia 29 de dezembro, quando foi alvo de um mandado de busca e apreensão pelos atos de vandalismo, publicou um vídeo em seu perfil em uma rede social dizendo ser "vítima do ministro Alexandre de Moraes".

"Mais uma vez vítima da truculência da polícia política de Alexandre de Moraes. Agentes fortemente armados invadiram meu apartamento, em Brasília, como se eu fosse um bandido de alta periculosidade. Patriotas estão sendo caçados, e o único crime é lutar por um país livre e mais justo. Não aceitamos que nossa nação fique nas mãos de bandidos. O STF tem agido como milícia, soltando bandidos e prendendo cidadãos de bem”, disse o blogueiro, mostrando imagens da ação da polícia.

Antes de finalizar o vídeo, Wellington pediu ajuda para se manter escondido. "Eu tenho muita fé em Deus que nós vamos vencer. Eu preciso agora de sua ajuda e de suas orações”, falou o bolsonarista, divulgando o na postagem o número do PIX.