Wells Fargo pagará R$ 114 milhões por demitir executivo que denunciou fraude

Wells Fargo: banco americano estava realizando fraude eletrônica e conluio de preços e taxa de juros (Erik McGregor/LightRocket via Getty Images)
Wells Fargo: banco americano estava realizando fraude eletrônica e conluio de preços e taxa de juros (Erik McGregor/LightRocket via Getty Images)
  • Gerente sênior foi demitido após denunciar para própria empresa as práticas ilegais;

  • Wells Fargo estava realizando fraude eletrônica e conluio de preços e taxa de juros;

  • Departamento do Trabalho americano viu indícios de retaliação na demissão do executivo.

A companhia financeira Wells Fargo foi condenada a pagar US$ 22 milhões, ou aproximadamente R$114 milhões, por Departamento do Trabalho americano após demitir um executivo que delatou má conduta financeira e fraude eletrônica para o canal de denúncias da empresa.

De acordo com o órgão americano, a financeira violou as leis de proteção a denunciantes ao demitir indevidamente um gerente sênior de seu segmento de banco comercial que trabalhava na área de Chicago.

O executivo alegou que a empresa estaria instruindo seus funcionários a cometerem fraude eletrônica e a falsificar informações do cliente, de acordo com o Departamento do Trabalho. O gerente ainda afirmou que a administração estava envolvida na fixação de preços e de taxa de juros.

Segundo o funcionário, ele acreditava que o comportamento da empresa era ilegal com base no treinamento oferecido pela própria companhia.

A demissão aconteceu em 2019, após inúmeras denúncias terem sido feitas para a Linha de Ética da Wells Fargo. A iniciativa é uma central de atendimento terceirizada que escuta denúncias dos funcionários sobre possíveis atividades ilegais.

A princípio, a Wells Fargo não deu justificativas de porque o contrato havia sido encerrado, mas depois argumentou que era parte de um processo de reestruturação. No entanto, os investigadores do Departamento de Trabalho descobriram que "que a remoção não era consistente com o tratamento da Wells Fargo a outros gerentes removidos sob a iniciativa".

"As evidências demonstram que o Wells Fargo tomou medidas de retaliação contra esse gerente sênior por expressar repetidamente preocupações sobre a gestão financeira que eles acreditavam violar as leis federais", disse Doug Parker, secretário assistente de trabalho da Administração de Segurança e Saúde Ocupacional do Departamento de Trabalho, em comunicado.