Wesley Moraes: Uma perna maior que a outra, e o sonho realizado na seleção

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Wesley Moraes no treino da seleção brasileira

Seria possível uma pessoa que tem uma perna 3 cm maior do que a outra jogar futebol profissionalmente? Wesley Moraes prova que sim e foi além: chegou à seleção brasileira.

Aos 22 anos, o atacante do Aston Villa é mais um da série de jovens desconhecidos que saem do Brasil em busca do sonho e alcançam a consolidação na Europa. Ele já tem quatro gols em 12 partidas na Premier League. E a assimetria das pernas do mineiro de 1,92cm não tem atrapalhado.

—A esquerda é maior que a direita. Já tentei botar palmilha, mas meu corpo não se adaptou. Mas creio que isso não muda em nada; se mudasse, eu não estava aqui. É como o Garrincha. Garrincha deu certo, né — brincou Wesley, que deu coletiva em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde o Brasil treina antes de enfrentar a Argentina, sexta-feira, na Arábia Saudita.

Wesley Moraes foi convocado de última para substituir David Neres, cortado por lesão. Antes de chegar ao futebol inglês e entrar nos planos de Tite, rodou por mercados alternativos.

O primeiro contrato profissional veio no Itabuna, na Bahia, em 2014. Mas Wesley não demorou a iniciar uma vida de nômade.

— Eu comecei a jogar bola muito jovem e fui para a Europa muito jovem. No Atlético de Madrid (onde fez testes, mas não foi aprovado), tive uma experiência muito boa. Também joguei na Eslováquia (Trencin), onde pude jogar no profissional — contou.

Pai de dois filhos — o primeiro nascido quando Wesley tinha 15 anos —, o rapaz de Juiz de Fora trabalhou em uma fábrica de pregos e parafusos antes de ser aceito no futebol. Àquela altura, não tinha mais a presença do pai, que morreu quando o atacante tinha 9 anos e de quem herdou o porte físico:

—A altura é de família. Meu pai também era grande e forte. Meus irmãos também são altos, fortes.

Na passagem pela Europa, também fez testes em clubes como Nancy e Evian, da França, mas a explosão se deu na Bélgica, a partir de 2016.

No Club Brugge, a adaptação foi facilitada pela presença de outros jogadores brasileiro e do técnico Michel Preud’homme, ex-goleiro que chegou a ir para o Fluminense na década de 1990. Em 2018, o brasileiro foi eleito o melhor jogador jovem da temporada.

Nas últimas duas temporadas na Bélgica, marcou 30 gols. E aí apareceu o Aston Villa para pagar € 25 milhões e levá-lo para a principal liga do mundo. Agora na seleção, Wesley continua sonhando:

— Espero mostrar o meu trabalho para poder ter mais oportunidades. Tenho sonhos, um deles é jogar a Copa do Mundo.