Western Union retoma serviço de remessas a Cuba a partir de Miami

A empresa americana de serviços financeiros Western Union retomou nas últimas semanas o envio de remessas a Cuba a partir da cidade de Miami com um programa piloto, após deixar a ilha caribenha, em 2020, informou nesta quarta-feira (11).

“É um grande prazer anunciar a retomada das nossas operações em Cuba com uma fase inicial de testes do serviço de remessa dos Estados Unidos para clientes com contas bancárias cubanas por meio de determinados agentes americanos”, declarou a presidente da empresa para a América do Norte, Gabriella Fitzgerald.

No momento, as remessas para a ilha só podem ser feitas de poucos pontos da região de Miami e estão limitadas a US$ 2.000 diários, mas a empresa sinalizou que pretende ampliar a lista de negócios associados.

As transferências têm que ser feitas em dólar e destinadas a contas bancárias ou cartões de débito de três entidades cubanas: Banco Popular de Ahorro, Banco Metropolitano S.A. e Banco de Crédito e Comércio (Bandec).

O anúncio da Western Union pode levar alívio à população cubana, castigada pela pior crise econômica em seu país desde os anos 1990. Entre 2005 e 2020, as remessas representaram 6% do PIB cubano, segundo estimativas de especialistas independentes.

No fim de 2020, o governo de Donald Trump (2017-2021) sancionou a cubana Fincimex, associada à Western Union, para evitar que os militares da ilha fossem beneficiados pelo envio de remessas.

A Fincimex geria as transferências do exterior e era controlada pelo Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), conglomerado mais poderoso de Cuba, dirigido pelas Forças Armadas Revolucionárias. Consequentemente, a Western Union teve que fechar seus 407 escritórios em território cubano, desferindo um golpe nos habitantes da ilha que dependiam de remessas para sobreviver.

O retorno das remessas a Cuba por meio da Western Union ocorre quase um ano depois que o governo cubano criou outra empresa para administrar as transferências do exterior: a Orbit S.A.

Segundo John S. Kavulich, presidente do Conselho Econômico Cuba-Estados Unidos, Washington irá monitorar de perto se a Orbit S.A. realmente mantém distância dos militares cubanos.

O retorno das operações da Western Union em Miami irá permitir à grande comunidade cubana da cidade americana ajudar familiares na ilha sem recorrer às chamadas "mulas", pessoas que voam dos Estados Unidos para Cuba levando dinheiro na bagagem, cujos serviços são mais caros.

Kavulich disse acreditar que o envio de remessas irá obrigar o governo cubano "a colocar mais dólares em circulação e facilitar a troca de pesos por dólares e de dólares por pesos, principalmente as pequenas empresas, e conseguir mais produtos que as pessoas possam comprar com esse dinheiro".

"Qualquer um que sugerir que isso é um presente para o governo cubano está enganado. Isso coloca muita pressão sobre eles", afirmou Kavulich. A maior prova disso, apontou, é que o governo de Havana demorou mais de um ano para autorizar a criação da Orbit.

"Poderiam ter feito isso em novembro de 2020 e ter poupado muito sofrimento ao seu povo, mas tomaram uma decisão política e se aferraram a ela", lamentou Kavulich.

gma/gm/ll/lb/am