Ato contra corte de repasses a escolas de samba do Rio atrai poucas pessoas

Rio de Janeiro, 17 jun (EFE).- Um protesto contra o corte de recursos públicos recebidos pelas escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro atraiu poucas pessoas neste sábado.

Apenas 60 pessoas atenderam à convocação das escolas para criticar a decisão do prefeito Marcelo Crivella de reduzir pela metade o auxílio de R$ 2 milhões concedidos a cada ano para cada uma das escolas do grupo especial do Carnaval.

Crivella alegou que a crise financeira da cidade obriga a usar parte dos recursos para a manutenção de creches e que as escolas de samba podem buscar financiamento privado, como já ocorre atualmente, e seguir vivendo da venda dos ingressos para o Sambódromo e dos direitos sobre os sambas-enredo.

Apesar da ameaça da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) de não realizar o Carnaval de 2018, prejudicando uma festa que gera bilhões aos cofres da cidade, o protesto convocado para a tarde deste sábado não teve grande respaldo.

Poucos manifestantes se concentraram em frente à sede da Prefeitura do Rio. A maioria deles usava camisas de suas respectivas escolas de samba e ficaram no local por cerca de uma hora, limitando-se a dar entrevistas aos muitos jornalistas que apareceram para cobrir o protesto contra Crivella.

O diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla, classificou os argumentos usados por Crivella como "demagógicos".

"Temos muitos meninos com necessidades no Rio de Janeiro e não só os das creches da Prefeitura. Quando se aproveita de um momento difícil como o atual para atacar o que mais embeleza o Carnaval, ele está atuando de forma demagógica", criticou.

Crivella nunca escondeu sua rejeição ao Carnaval. Em fevereiro, ele se tornou o primeiro prefeito a não participar da cerimônia de abertura do evento em várias décadas.

A Igreja Universal do Reino de Deus, da qual Crivella é bispo, sempre foi critica ao Carnaval.

"Tudo isso nos exige austeridade e sacrifício. Todos precisam contribuir. A Prefeitura está contribuindo. Cortamos secretarias, mais de mil cargos comissionados. O Carnaval precisa contribuir conosco e nos ajudar nesse esforço", argumentou Crivella.

Laíla alegou que muitos trabalhadores dependem das atividades realizadas todos os anos para preparar os desfiles de Carnaval para se sustentar e que, sem o auxílio público, eles passarão a engrossar os 14 milhões de desempregados do Brasil. EFE