Presidente do Quênia pede perdão por prejudicar unidade do país durante crise

Nairóbi, 2 mai (EFE).- O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, pediu desculpas nesta quarta-feira por declarações feitas no ano passado, quando o país entrou em uma grave crise política após realizar duas eleições presidenciais e registrar uma série de manifestações violentas.

"Se há algo do que disse no ano passado que causou danos, se disse algo que prejudicou a unidade deste país, peço que me perdoem", afirmou o presidente durante o discurso do Estado da Nação, no qual avalia as ações tomadas pelo governo ao longo do ano.

A tensão cresceu no Quênia durante as eleições de 8 de agosto de 2017. Kenyatta venceu, mas o pleito foi impugnado pelo líder da oposição, Raila Odinga. A repetição da votação, em 26 de outubro, foi boicotada pela oposição, e o atual presidente voltou a triunfar.

"Vocês viram o que ocorreu durante a campanha: palavras de cólera, maldade, ódio... A política deixou de ser um debate sobre problemas entre oponentes e se transformou em um choque irreconciliável de inimigos", admitiu Kenyatta.

"Devemos reconhecer que falhamos em preservar a unidade", disse.

O presidente afirmou que os quenianos não devem perder suas vidas por motivos políticos, uma referência aos protestos antes e depois das eleições, que deixaram pelo menos 104 mortos, de acordo com a organização Human Rights Watch (HRW).

No último dia 9 de março, Kenyatta e Odinga, líder da Super Aliança Nacional (Nasa), se reuniram pela primeira vez desde as eleições e anunciaram um acordo para solucionar a crise política.

O pacto, selado com um aperto de mãos, coincidiu com a visita do então secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, a Nairóbi.

"A unidade não necessariamente significa unanimidade", afirmou Kenyatta sobre o acordo com a oposição.

O presidente do Quênia também falou sobre problemas na região, como o terrorismo na Somália e a crise no Sudão do Sul.

"Nossa região não está em paz. A Somália segue sem solução e o Sudão do Sul está em crise. Peço aos líderes políticos que ponham os interesses do povo diante dos seus", afirmou Kenyatta.

O pedido ocorre na véspera da rodada final de negociação de paz no Sudão do Sul sob mediação da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento no Leste da África (Igad). EFE