Wilson Witzel anuncia investimento de R$ 500 milhões em Segurança Presente nas Estradas

Mauricio Xavier
O governador Wilson Witzel em 05/08/2019

SÃO PAULO — Wilson Witzel afirmou que o governo estadual vai lançar na próxima sexta-feira o Programa Segurança Presente nas Estradas, a fim de combater roubos de carga. Segundo ele, o projeto vai custar R$ 500 milhões e vai envolver polícia especializada nesse tipo de operação, fechamento de corredores de carga, helicópteros e motos. 

— No ano que vem, roubo de carga no Rio de Janeiro vai ficar muito, mas muito difícil. Vai ter uma queda substancial por esse programa que vamos implementar — afirmou.

O governador fez a declaração durante palestra na 2ª edição do Fórum Nacional da Inteligência aplicada para o Combate à Criminalidade, organizado por diversas entidades ligadas à segurança pública. Os R$ 500 milhões necessários para financiar o projeto virão, segundo Witzel, de um fundo para o qual empresas devem doar recursos até alcançar esse montante.

— O prejuízo das empresas (com roubo de carga) neste ano foi de R$ 8 bilhões. O estado perdeu R$ 2 bilhões em tributos. Então criamos um fundo, aprovado na Assembleia Legislativa, e as empresas vão doar R$ 500 milhões para esse fundo, que será integralmente usado no Programa Segurança Presente nas Estradas.

O governador voltou a defender as operações policiais que deixam inocentes mortos no estado. Ele reafirmou que o nível de letalidade policial aumentou no Rio porque "nunca se combateu tanto o crime organizado como está se combatendo hoje". Em setembro, o Ministério Público do Rio de Janeiro publicou um estudo, realizado em seu centro de pesquisas, apontando que o aumento da letalidade policial não tem relação com a diminuição de crimes. Witzel já chegou a definir as operações policiais como um "sucesso absoluto".

Na semana passada, a investigação da Polícia Civil apontou que partiu de um cabo da PM o disparo que, dois meses atrás, provocou a morte da estudante Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, no Complexo do Alemão. Witzel demorou três dias após a morte de Ágatha para se pronunciar sobre o assunto. Ele então culpou o crime organizado e defendeu a política de segurança pública do Rio de Janeiro.

Durante o evento realizado em São Paulo, o governador disse que parte do dinheiro desviado pelo crime organizado no Rio de Janeiro vai para o Hezbollah, uma organização política islâmica sediada no Líbano. Além de ser um partido político com atuação no parlamento libanês, o grupo financia escolas, hospitais e rede de TV e é considerado terrorista por Israel, Arábia Saudita e Estados Unidos.

— A lavagem de dinheiro do tráfico de armas que está sendo realizada hoje no Rio de Janeiro tem, inclusive, atuação do Hezbollah. Nós temos um preso, estamos tentando fazer ele colaborar, mas ele é agente do Hezbollah. O dinheiro do tráfico de armas está indo para o Hezbollah — declarou.

Essa não foi a primeira vez que Witzel mencionou o grupo do Líbano em suas declarações. Em julho, ele revelou que uma investigação revelaria "em breve" uma ligação entre uma das maiores facções de tráfico de drogas do estado e o Hezbollah.