Wilson Witzel diz que violência no Rio está no mesmo patamar de 'Nova York, de Paris, de Madrid'

Gustavo Goulart
Governo de Wilson Witzel terá 30 dias para enviar propostas. Colegiado volta a alertar que Rio pode ser excluído do regime

RIO - Wilson Witzel afirmou que a violência no Rio está no mesmo patamar de "Nova York, de Paris, de Madrid". A declaração foi dada em evento realizado em Duque de Caxias na manhã desta quinta-feira. De acordo com o governador, os tiroteios no Rio só acontecem em comunidades e não nas áreas turísticas mais visitadas do estado:

— Os tiroteios acontecem nas comunidades e não no Centro, no Pão de Açúcar, no Cristo Redentor. São décadas de abandono no planejamento urbano nas comunidades. Mas a realidade da cidade do Rio de janeiro hoje é que nós saímos de uma taxa de 35 mortes por 100 mil habitantes para 16 mortes por 100 mil habitantes. Nós só perdemos para uma capital do Brasil. Somos a segunda capital mais segura do Brasil. E se nós olharmos para o resto do mundo, veremos que estamos no mesmo patamar de Nova York, de Paris, de Madrid. Essa é a realidade que precisa ser mostrada - disse Witzel.

De janeiro até o último dia 3 de novembro, a cidade de Nova York registrou 269 assassinatos. Entre o começo do ano e o último mês de setembro, a capital fluminense contabilizou um número 2,5 vezes maior: 739 homicídios dolosos. Atualmente, São Paulo é a capital brasileira com menor número de homicídios.

Witzel disse também que há mais de 5000 fuzis na mão de traficantes nas comunidades do Rio atualmente. Segundo o governador, a conta foi feita pela Polícia Militar. Ele criticou a reação do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que disse que o governador está transferindo a responsabilidade dos crimes no estado para o governo federal. Witzel tinha usado as redes sociais para criticar duramente a falta de combatividade, em nível federal, ao tráfico de drogas e armas e ao sucateamento da Polícia Federal.

— Contra fatos, não há argumentos. As armas estão entrando por onde? Pelas fronteiras. São 5000 fuzis nas mãos de narcoterroristas. E essas armas não são produzidas aqui. Elas entraram por ar, terra ou mar e cruzaram nossas fronteiras. Estamos fazendo a nossa parte. Já prendemos o miliciano acusado da morte da menina Ketellen. Eu fui juiz federal e sei que a quantidade de armas e drogas apreendidas é muito inferior ao que é produzido. A Colômbia e a Bolívia produzem maconha e cocaína numa escala absurda - comentou Witzel.

O governador sugeriu ao governo federal que utilize militares das forças armadas no combate ao tráfico de armas e drogas. Ele também afirmou que a Polícia federal está sucateada:

— As nossas forças armadas hoje podem e devem controlar as fronteiras. Em Israel, o exército é usado no policiamento. É necessário usar satélite, programa de controle nacional e precisamos ir à ONU responsabilizar a indústria armamentista. O governo federal precisa se mexer e eu não estou vendo esse movimento. O que estou vendo é um movimento muito tímido. O governo federal me ofereceu 60 policiais para botar em Angra dos Reis. O que eu vou fazer com 60 policiais em Angra? Nada. O que é preciso e a polícia federal entrar nos morros e pegar as armas que foram contrabandeadas - afirmou Witzel, após solenidade de inauguração do Programa Duque de Caxias Presente na Praça do Pacificador.

O governador aproveitou a solenidade para reafirmar a sua intenção de criar um programa Segurança Presente nas estradas do Rio. Ele pediu ao governo federal que conclua o Arco Metropolitano. Logo em seguida, foi provocado pelo prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, a fazer as obras de conclusão da estrada uma união entre prefeituras e o governo do Estado.