Wilson Witzel pode reajustar medidas protetivas ao coronavírus no próximo dia 4

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Wilson Witzel já pediu ajuda financeira ao governo federal

O governo do Estado do Rio de Janeiro informou nesta quinta-feira, por meio de nota, que vai reavaliar os critérios das medidas protetivas contra o coronavírus de acordo com a “curva do vírus” no próximo dia 4. Wilson Witzel voltou a enfatizar que espera medidas da União e que o ministro da Economia, Paulo Guedes, já sinalizou a favor do pedido de antecipação de recursos do leilão da Cedae.

Também nesta quinta-feira, o governador chegou a afirmar que revisaria as medidas de isolamento da população caso o governo federal não enviasse ajuda financeira ao Rio. Com o cálculo de um rombo de R$ 10 bilhões por causa da crise do coronavírus, o que vai dobrar a previsão inicial de déficit para 2020, o governo do Estado elaborou um pacote com 30 ações para amenizar os efeitos da crise. Outros governadores também estão cobrando socorro, como João Doria, de São Paulo, Flavio Dino, do Maranhão, e Camilo Santana, do Ceará.

— Nós estamos fazendo a nossa parte. Mas volto a dizer: se o governo federal até segunda-feira não apresentar algo que dê esperança para que as pessoas possam saber que não vão morrer de fome e não vão ter um cataclisma nas suas vidas, vai ser muito difícil continuar com essas medidas protetivas — afirmou o governador do Rio: — Se a União não se mexer, vamos entrar em caos financeiro.

Mais tarde, no entanto, ao “RJTV”, Witzel afirmou que continuará seguindo as recomendações de confinamento feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o combate ao coronavírus e fez duras críticas ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

De acordo com Witzel, Mandetta está mudando sua visão do isolamento e se aproximando da opinião do presidente Jair Bolsonaro, que já se colocou contra medidas de confinamento e fez pronunciamento pedindo que as pessoas voltassem ao trabalho.

— Da noite para o dia, vejo o ministro da Saúde, que é a autoridade máxima da Saúde no Brasil e orientador das nossas ações, mudar de opinião. Diz que começamos o isolamento cedo demais, critica a quarentena e lava suas mãos, indo na mesma direção das falas do presidente. Esse posicionamento deixa a sociedade zonza e confusa sobre o que fazer.

As 30 propostas do governo do Rio já foram apresentadas aos deputados estaduais. O estado calcula que terá um déficit de R$ 3,5 bilhões por causa da queda de arrecadação do ICMS e de cerca de R$ 6,5 bilhões em razão da queda do preço do barril do petróleo.

Na lista de medidas emergenciais, está uma transferência de R$ 1,5 bilhão a R$ 3 bilhões da União. Outra proposta é suspender o pagamento antecipado do 13º dos servidores, o que representa uma economia de R$ 850 milhões.

O número de casos de coronavírus no Estado do Rio chegou a 421 no fim da tarde de ontem, de acordo com um boletim divulgado pela Secretaria estadual de Saúde. Ao todo, já foram nove óbitos. A última morte confirmada é de um homem de 60 anos que morava na capital.

A cidade do Rio concentra a maior quantidade de infectados: 368. Mas há casos também em Niterói (31), Volta Redonda (7), Petrópolis (3), São Gonçalo (também 3) e Duque de Caxias (2). Barra Mansa, Belford Roxo, Campos, Guapimirim, Miguel Pereira, Resende e Valença têm uma confirmação cada.

Segundo a Secretaria de Saúde, todos os óbitos no estado são de idosos ou quem apresentava outras doenças. Na capital, seis pessoas já morreram. As outras três vítimas eram de Miguel Pereira, Niterói e Petrópolis.