Wired 2022 mostra como será a torcida esportiva na web 3.0

O que há em comum entre o futebol e a web 3.0? Ou entre uma cesta de três pontos e um NFT colecionável? Na edição 2022 do Wired Festival Brasil, as relações transformadoras entre tecnologia e esportes serão investigadas por três nomes que estão no centro de um futuro já presente.

Com o tema “Embarque imediato no metaverso”, este ano o evento acontece de 17 a 20 de novembro, presencialmente e on-line. No dia de abertura, no Planetário da Gávea, um dos destaques é a mesa “Esporte e tecnologia”, às 12h15, com Newton Fleury Filho, criador do Cartola FC; o diretor criativo e artista digital Uno de Oliveira; e Rodrigo Clemente, criador do festival SneakerX.

Mesmo com experiências diversas em relação às novas tecnologias, os três convergem num ponto: é o senso de comunidade que tem determinado os novos hábitos dos torcedores, e em torno deles começam a girar novos negócios e até mesmo formas de expressão. Não que a ideia seja nova; na verdade, está na origem dos esportes populares.

— Se você olhar a história dos clubes de futebol, você vai perceber que todos esses nasceram de uma comunidade, um século antes da internet existir — comenta Fleury Filho. — Eram comunidades de bairro, de operários de uma fábrica e assim por diante, então seria natural que, num ambiente rico em comunicação e conexões, os clubes se aproveitassem disso.

Fleury cita o futebol, mas, para Uno, quem percebeu primeiro que havia novo campo a explorar foi a NBA, liga de basquete profissional dos Estados Unidos.

— A NBA foi a primeira a entender os NFTs. No início do boom, ela vendeu cards NFTs que representam tokens físicos de jogadas. Desenvolveram coleções e muito mais coisas nesse campo — explica Uno.

— Uma das coisas interessantes do esporte no mundo digital é sua amplitude — acrescenta Fleury. — Ele é um grande catalizador de cada aspecto da transformação digital da sociedade, de videogames aos streamings, passando por comunidades, jornalismo e entretenimento.

Para Uno, que já trabalhou em projetos para jogos de sucesso como League of Legends e Free Fire, quem está familiarizado com os games já “vivencia” o futuro.

— Cada vez mais as pessoas entendem que esse futuro próximo já está presente. Quando a gente olha para os e-sports, tem isso muito bem resolvido e qualificado. Os jogos são de graça, mas os jogadores compram skins para jogar LoL, por exemplo.

Quem é habituado a colecionar camisas de clubes, tênis com assinatura de jogador e outros objetos associados ao esporte (caso de Rodrigo Clemente, que tem mais de cinco mil sneakers e é o maior colecionador do Brasil) entende o potencial e sente-se atraído por este universo estendido da paixão clubística. Mas há ainda um bom caminho a percorrer, diz Fleury Filho, que credita o sucesso do Cartola FC ao poder que o game concede aos usuários de criarem seus próprios microuniversos, com amigos de trabalho ou escola.

— As iniciativas digitais dos clubes ainda seguem lógica broadcast. Por mais que eles tenham estabelecido comunicação “direta” com seus “fãs” via plataformas sociais, sequer têm acesso ao e-mail de seus “fãs” e são intermediados por algoritmos — critica.

O Wired Festival Brasil é uma realização Edições Globo Condé Nast e O GLOBO, com apresentação da Invest.Rio | Prefeitura RJ, patrocínio do Meta, BMW e Mercado Bitcoin, apoio de Johnnie Walker e Listerine e curadoria e experiências pela BRIFW. As inscrições podem ser feitas em https://bit.ly/3A865lQ.

Futebol terá papel central na nova web

Tanto Newton Fleury Filho, o criador do Cartola FC, como o artista digital Uno de Oliveira estão sempre de olhos bem abertos para as tendências sociais da tecnologia. Fleury Filho hoje investe na Warlocks, empresa que cria comunidades em universos digitais, uma plataforma de comunicação que já tem dez milhões de usuários só no Brasil.

E um campo fértil para novos negócios ligados a futebol. Já Uno de Oliveira acredita que ainda estamos no início da web 3.0, que congrega diversas tendências.

— Há projetos enormes voltados para moda, esportes, shows, entretenimento que estão muito à frente. Temos de olhar para essas tendências e ver como a arte, o investimento financeiro e a comunidade estão formando esse ecossistema que é a web.3.0.

Newton Fleury Filho acredita que, quaisquer que sejam os formatos criados na nova web, o futebol terá um papel central nela:

— Eu entendo que o futebol será o grande catalizador das transformações que a web 3.0 promete trazer. Seu modelo descentralizado privilegia justamente os detentores de propriedade intelectual que comandam uma comuni- dade altamente engajada. Ninguém tem isso mais forte do que clubes de futebol. Ainda é cedo para cravar quais serão as aplicações vencedoras, mas com certeza o futebol vai estar nessa vanguarda.

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