Wired Festival Brasil: 'Inovar está no DNA da favela', diz Jefferson Quirino

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“A inovação está no DNA do favelado.” Quem diz isso é Jefferson Quirino, fundador do Favela Radical, projeto que promove aulas de esportes, dança, robótica e programação para 140 crianças e adolescentes no Morro do Turano, comunidade da Zona Norte do Rio.

— O favelado tem que inovar diariamente, está sempre correndo atrás. O objetivo do Favela Radical é construir um espaço de troca de conhecimento para permitir que o nosso pessoal não fique no prejuízo e possa largar de igual para igual com todo mundo — diz ele.

Potência das periferias

No próximo dia 1º, Quirino participa do Wired Festival Brasil, que vai promover debate sobre ciência e tecnologia, futuro das cidades, tendências do mundo digital, diversidade e, é claro, inovação, no Planetário da Gávea. Quirino subirá ao palco ao lado do rapper Rincon Sapiência, da jornalista Gizele Martins e da midiativista Buba Aguiar para discutir o tema “Favela em expansão — olhando para as potências da periferia”.

As primeiras sementes do Favela Radical brotaram em 2015, quando Quirino começou a dar aulas de surfe para crianças da comunidade. Desde 2017 ele se dedica integralmente ao projeto que, no ano passado, organizou um programa de transferência de renda a famílias em dificuldades por conta da pandemia de Covid-19.

O objetivo do Favela Radical é transformar a comunidade numa incubadora de inovação. Nas oficinas de robótica, crianças de 7 a 12 anos são incentivadas a “ressignificar a gambiarra” e produzir eletrônicos com material que iria para o lixo. Nas aulas de programação, adolescentes de 13 a 18 anos desenvolvem um sistema capaz de alertar sobre o risco de deslizamentos de terra, que costumam castigar os morros do Rio.

Segundo Quirino, o tempo em que as comunidades de baixa renda eram reféns de promessas eleitoreiras de políticos já passou. Agora, são os próprios moradores que chamam o estado para dialogar e “cocriar” soluções. O desafio, diz ele, é convencer o poder público de que as favelas necessitam da presença de um aparato estatal que vá além da Secretaria de Segurança Pública.

— Por serem territórios vulneráveis, as favelas eram muito assediadas por políticos que não faziam nada depois de eleitos. Agora, somos nós que convidamos o poder público para cocriar oportunidades junto com a gente. Não vamos só aceitar projetos que já vêm prontos. Queremos sentar e discutir maneiras de capacitar as pessoas e desenvolver nossos territórios — afirma Quirino. — Se eles não quiserem se conectar com a comunidade, vamos conversar com a iniciativa privada ou fazer tudo nós mesmos.

Ingressos limitados

O Wired Festival Brasil ocorrerá nos dias 1º e 2 de dezembro. O tema desta edição é “The lab of us” (algo como “nós somos nosso próprio laboratório”). Além de debates com nomes como o ex-BBB Gil do Vigor, a ativista indígena Alice Pataxó e Nathaly Dias, a Blogueira de Baixa Renda, o público terá acesso a atividades oferecidas pelos patrocinadores do evento, food trucks e até um happy hour no fim do dia. No entanto, para assistir aos debates é necessário se inscrever clicando aqui. É de graça, mas os ingressos são limitados. O Wired Festival Brasil é uma realização Edições Globo Condé Nast e O GLOBO, com apresentação de Invest.Rio | Prefeitura RJ e patrocínio de C&A, Draft Line e Unico.

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