Witzel diz que despoluição do Guandu depende de verba obtida com leilão da Cedae

Paulo Cappelli
Rio Guandu nesta quinta-feira, na altura da divisa entre Nova Iguaçu e Seropédica

RIO — A despoluição no Rio Guandu, usado pela Cedae para a captação de água, passa, segundo o governador Wilson Witzel, por investimentos que só serão viabilizados após o leilão de privatização da Cedae. Um estudo divulgado pela UFRJ alerta para o risco de excesso de esgoto no Guandu, uma "ameaça real à segurança hídrica da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ao GLOBO, Witzel afirmou que o estado precisa angariar recursos que não tem no momento para solucionar o problema.

— Evidentemente que a questão de Guandu não se resolve sem investimentos que virão com o leilão da Cedae. Faremos uma nova apresentação, com detalhamento do leilão, no mês que vem — afirmou.

O ambientalista Mário Moscatelli critica a histórica demora do estado para iniciar a despoluição.

— Desde 2008, a pauta do Rio Guandu já está colocada. Na ocasião, o então presidente da Cedae, Wagner Victer, anunciou um projeto com essa finalidade, mas não levou adiante. O governador deveria agir de imediato, levando o problema ao governo federal e pedindo ajuda ao Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Saúde. A condição de insalubridade pode propiciar condições para a afloração de cianobactérias tóxicas, o que torna a questão urgente.

Procurado, Victer rebateu a declaração de Moscatelli, dizendo que o mencionado projeto de 2008, quando presidia a Cedae, abordava outro tema.

— Não era referente à despoluição do Guandu nem relativo ao problema operacional ocorrido agora. O projeto tratava de desvio dos rios Poços e Queimados, não alterava a poluição no Guandu. Esse projeto não foi levado adiante pelo impedimento de órgãos ambientais, tendo em vista que poderia gerar inundações na Baixada em dias de grandes chuvas — disse.