Witzel exonera secretário de Saúde do Rio em meio a investigações

ÚRSULA PASSOS E NICOLA PAMPLONA
***FOTO DE ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 19-03-2019 - O governador do RJ Wilson Witzel participa da solenidade. O presidente da república em exercício Hamilton Mourão participa da solenidade de Posse do novo presidente do Tribunal Superior Militar, ministro Marcos Vinicius Oliveira dos Santos, que substitui o ministro José Coelho Ferreira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), exonerou neste domingo (17) o secretário estadual de saúde, Edmar Santos. A decisão foi tomada em meio à Operação Favorito, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, da qual a pasta é um dos alvos, que investiga o empresário Mário Peixoto.

Em nota, o governo Witzel disse que a exoneração foi motivada por "falhas na gestão de infraestrutura de campanha para atender as vítimas da Covid-19". O texto diz, porém, que Santos vai dirigir uma comissão de notáveis para auxiliar o governo no enfrentamento à pandemia.

Ele será substituído pelo atual diretor-geral do Hospital Universitário Gaffré e Guinle, Fernando Ferry, que é especialista em Aids.

Deflagrada no último dia 14, a Operação Favorito prendeu o empresário Mário Peixoto, que é ligado ao secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Lucas Tristão, braço-direito de Witzel. A detenção na ocorreu no âmbito das investigações da Operação Lava Jato sobre atos durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral.

Mas, de acordo com a PF, a organização criminosa alvo da apuração manteve sua atuação nas contratações emergenciais voltadas para o combate à pandemia do novo coronavírus, o que motivou as prisões preventivas.

Além do empresário, também é alvo da ação o ex-presidente da Assembleia Legislativa fluminense Paulo Melo (MDB), e outros três pessoas cujos nomes não foram divulgados.

Em abril, o subsecretário-executivo da secretaria da saúde, Gabriell Neves foi temporariamente afastado do cargo. Neves era responsável pelas compras emergenciais no combate ao novo coronavírus e a Folha de S.Paulo havia revelado, dois dias antes, que os processos administrativos para as aquisições de equipamentos e leitos que somam R$ 1 bilhão foram colocadas em sigilo de forma irregular.

Neves não foi o primeiro. Dias antes, a subsecretária de Gestão da Atenção Integral à Saúde, Mariana Scardua, foi exonerada. Havia divergências entre ela e Neves. À época, o governo afirmava que a estrutura da pasta havia sido alterada para contar com profissionais voltados à medicina intensiva --a ex-subsecretária é especialista em medicina de família.

Segundo a última atualização da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro feita neste sábado (16), o estado tem 21.601 casos confirmados do novo coronavírus, e registra 2.614 óbitos, atrás apenas de São Paulo.