Witzel ignorou pareceres contra instituto que estava proibido de fazer contratos com poder público

Chico Otavio e Juliana Dal Piva

O governador Wilson Witzel, ao revogar no dia 23 de março a decisão que desqualificou o Instituto Unir Saúde como organização social que podia contratar com o estado, desprezou dois pareceres jurídicos contrários à aceitação do recurso da entidade. O Unir, conforme foi demonstrado pela operação Favorito, desencadeada pela força-tarefa da Lava-Jato na semana passada, tem como sócio oculto o empresário Mário Peixoto, que foi preso. Os procuradores do Rio enviaram na última quarta-feira à vice-Procuradoria-Geral da República trechos da investigação com supostas menções ao governador Wilson Witzel.

As empresas de Peixoto possuem contrato com o estado desde a gestão de Sergio Cabral (MDB) e permaneceram durante o governo de Witzel. De acordo com o MPF, esses contratos foram renovados por meio do pagamento de propina. A Unir Saúde é responsável pela administração de Unidades de Pronto Atendimento (UPA). A OS tinha sido proibida de fazer contratos com o poder público em outubro, após a constatação de irregularidades na prestação de serviços. No entanto, um ofício assinado por Witzel revogou a proibição em um decreto no dia 23 de março deste ano. Para o MPF, não há justificativa técnica para o despacho.