Witzel rebate crítica de Bolsonaro: 'O governo federal precisa fazer a sua parte'

Em entrevista, governador afirma que precisamos nos preparar para uma crise de seis meses

RIO - Ao rebater as críticas do presidente Jair Bolsonaro sobre as medidas restritivas para conter conter o avanço do coronavírus, o governador Wilson Witzel subiu o tom e disse que o governo federal está em “passo de tartaruga” no combate à pandemia de Covid-19. A declaração foi dada na tarde desta sexta-feira, durante entrevista Globo News. O presidente disse que com as medidas, "parece que o Rio de Janeiro é outro país", porque Witzel teria tomado decisões que não competem a ele. Witzel também reclamou da falta de diálogo com o governo federal:

— O governo federal precisa fazer a sua parte. Não há diálogo. Para falar, precisamos mandar uma carta — reclamou o governador, em outra entrevista. Dessa vez ao RJ TV.

Ao ser perguntado se o embate é uma antecipação do debate eleitoral, Witzel negou estar fazendo política:

— Se alguém está preocupado com a eleição, não sou eu. Estou preocupado agora em administrar bem o Estado do Rio de Janeiro e resolver o problema que estamos enfrentando. Uma crise epidemiológia mundial, com pessoas irão morrer, pessoas que vão passar forme, perder empregos. Não é hora de falar em política — enfatizou Witzel.

O decreto de Witzel determinou a suspensão de viagens aéreas, terrestres e aquaviárias de origem de locais com circulação confirmada do coronavírus ou situação de emergência decretada. A suspensão, no entanto, depende de confirmação das agências reguladoras, como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que criticou a decisão.

— Estão tomando medidas, no meu entender, exageradas. Fecharam o aeroporto do Rio de Janeiro. Não compete a ele, meu Deus do céu! A Anac está à disposição, é uma agência autônoma que está aberta para todo mundo, para conversas. Eu vi ontem um decreto do governador do Rio que, confesso, fiquei preocupado. Parece que o Rio de Janeiro é um outro país. Não é outro país. Você tem uma federação — disse Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada.