Witzel se reunirá com MP para discutir punições para quem descumprir quarentena

Paulo Cappelli

O governador Wilson Witzel se reunirá com representantes do Ministério Público do Rio nesta terça-feira (5) para discutir punições para quem descumprir a quarentena decretada para frear o avanço do coronavírus. Entre as medidas avaliadas, a aplicação de multas e apreensões de materiais. A declaração foi dada na noite desta segunda-feira (4) no programa Roda Viva, da TV Cultura.

— Marcamos para amanhã com o MP uma reunião para discutirmos possíveis medidas que possam ser adotadas para as pessoas que não ficam em casa. Para que elas possam sofrer algum tipo de sanção. Tem uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que proíbe manifestações que produzam aglomerações, inclusive as carreatas feitas por políticos bolsonaristas. Eu tenho sugerido a edição de um decreto com advertência, multa e até apreensão de instrumentos utilizados, por desobedecer órgão judicial. Outros países estão construindo essas soluções — disse Witzel.

O governador voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro por incentivar aglomerações e minimizar os impactos do coronavírus.

— O grande problema que enfrentamos hoje é o estímulo para as pessoas irem para as ruas. Como há um discurso do presidente para a abertura, muitas pessoas estão indo para as ruas. Então estamos tendo aumento de pessoas nas ruas, em torno de 50%, quando deveria ser bem menos. Isso tem prejudicado o controle da pandemia.

Perguntado sobre sua ruptura política com Bolsonaro, Witzel afirmou que o presidente "só pensa na eleição de 2022" e acha que "todos são seus adversários".

— O presidente é mestre em criar fake news. A maior foi a sua própria eleição. Nós acreditamos que ele seria a pessoa para liderar projeto de renovação no combate ao crime organizado, combate à corrupção. Mas todas as medidas até agora foram no sentido contrário. Moro deixou o ministério colocando sob suspeita de que a nomeação é para atender interesses pessoais do presidente, não sei que interesses são esses. O COAF não está mais investigando nada. As acusações feitas contra mim sao absolutamente levianas. O presidente vive de fakenews, criando situações que não são verdadeiras e distorcendo a realidade dos fatos. Só pensa na eleição de 2022, e acha que todos são seus adversários — disse.

— Os filhos dele, Carlos e Eduardo, estão sendo investigados pela CPI das Fake News. Eles criam uma série de notícias falsas que a gente fica perdendo tempo para explicar. Isso tornou inviável continuar caminhando com Bolsonaro.

Indagado sobre supostas compras superfaturadas feitas emergencialmente (sem licitação) pela Secretaria Estadual de Saúde para o combate ao coronavírus, Witzel respondeu que "não tem bandido de estimação". O caso é investigado pelo Ministério Público do Rio.

— Quando trouxeram ao meu conhecimento que havia possível irregularidade e que as contratações não estavam de acordo com o determinado pela Controladoria do Estado, determinei exoneração do subsecretário e a instauração de sindicância para apurar os fatos. É um momento diferenciado que todos os governos estão vivendo, com contratações emergenciais. Para não termos problemas com superaturamentos, até o momento não foi pago um centavo para esses contratos. Só serão pagos após auditoria da Controladoria-Geral do Estado — afirmou.