WNBA completa 25 anos, e Janeth relembra início da liga: 'provei a todos o meu talento'

Janeth Arcain pulou de alegria ao receber a ligação de Gerasime Bozikis, o Grego, então presidente da Confederação Brasileira de Basquete. Ela havia sido um dos destaques da seleção brasileira que ficou com a prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, quando começaram a surgir os rumores de que uma liga de basquete feminino seria criada nos EUA. A expectativa era alta, mas ainda não havia certeza se o plano iria se concretizar.

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— Eu estava esperando tanto que aquilo fosse verdadeiro, que quando aconteceu, eu nem perguntei como funcionava, em que time eu iria jogar, quanto iria ganhar. Até então eu nem falava inglês, mas não estava nem aí. Só conhecia uma palavra sem precisar de tradução: basketball — relembra Janeth, hoje com 53 anos.

Cinquenta anos depois da criação da NBA, os membros do conselho da entidade resolveram investir na modalidade feminina. Surgia em 1996 a WNBA (Women’s National Basketball Association), com o torneio inaugural marcado para o ano seguinte. Oito equipes foram criadas para a temporada inicial: no Leste, Cleveland Rockets, Charlotte Sting, Houston Comets e New York Liberty; no Oeste, Los Angeles Sparks, Phoenix Mercury, Sacramento Monarchs e Utah Starzz.

As jogadoras mais conhecidas convidadas para compor os primeiros elencos eram, em sua maioria, campeãs olímpicas da seleção dos EUA, mas uma sul-americana estava na lista: Janeth. A ala-armadora fez parte do elenco do Houston Comets, time que conquistou o primeiro título nacional e também os três seguintes.

— Foi muito desafiador, mas foi essa trajetória que me completou como atleta em todos os sentidos. Tive vários aprendizados, de estar em um ambiente culturalmente diferente, ainda mais com a barreira da língua, mas também como profissional. Joguei em várias posições diferentes, e isso me fez crescer muito — conta.

Para Janeth, o cenário inicial da WNBA era equilibrado, apesar de o Houston Comets ter ganhado as quatro primeiras edições do torneio.

— Os times tinham nomes muito fortes, campeãs olímpicas com a seleção, e isso deixava a liga forte também. Era tudo bem nivelado, as equipes eram bem parecidas, o diferencial era em um ou outro jogo o talento individual. O New York Liberty era um time que a gente sempre tinha dificuldade em ganhar. O que fez a diferença foi que a gente 'deu liga' — analisa Janeth.

Foi contra o Liberty que o Houston Comets disputou a primeira final da competição. Apesar de ser o primeiro time criado pela liga, a equipe de Nova York já chegou a quatro finais desde então, mas nunca conquistou o títul. É o que narra o documentário Unfinished Business, da diretora Alison Klayman. O longa estreou no festival de cinema Tribeca, na semana passada, mas ainda não tem previsão de ser disponibilizado ao público internacional, nos cinemas ou em serviços de streaming. A sinopse do longa no site do festival conta que a equipe passou por “obstáculos como homofobia e machismo em sua jornada para a legitimidade”, assim como outros times da WNBA.

Passado, presente e futuro

O último quarto de século trouxe mudanças significativas para o basquete, não só apenas nas regras, mas também na melhora do nível das atletas. Janeth afirma que uma das maiores diferenças em relação aos anos 1990 é a mudança de estilo das jogadoras, com o jogo se tornando mais físico e veloz, mas sem perder a beleza e a dança.

Janeth conta que sofreu preconceito quando chegou nos Estados Unidos por ser a única representante da América do Sul, mas sua resposta foi na quadra.

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— Eu mostrei com o meu talento e a minha dedicação o porquê de eu estar ali. Sempre entreguei tudo na quadra, nos treinamentos e nos jogos, e tudo isso no nível alto, o high level que os americanos buscam — diz Janeth, que além do tetracampeonato nacional, figurou no All Star, no primeiro time da WNBA e foi eleita a a jogadora que mais evoluiu (MIP), em 2001.

Atualmente, há apenas uma brasileira na WNBA: é a pivô Damiris Dantas, que veste as cores do Minnesota Lynx. Ela foi escolhida na primeira rodada do draft de 2012, depois de bons desempenhos jogando pela seleção brasileira profissional. Ela já havia tido resultados expressivos nas equipes sub-18 e sub-19, mas alcançou outro patamar quando subiu para a categoria adulta. Ao longo de sua carreira, Damiris teve Janeth como mentora, que incentivou a atleta a jogar sempre no mais alto nível.

— Com o talento dela, ela tem que conseguir jogar sempre no mais alto nível, e assim ela vai ter seu espaço na WNBA ou em qualquer lugar do mundo.É isso que eu diria para todas as meninas mais novas que têm esse sonho e estão focadas no seu objetivo: façam os seus treinamentos no nível mais alto e dêem sempre 100% em quadra — finaliza.

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