WSL comemora 'ano mais bem sucedido do surfe profissional'

O circuito mundial de surfe volta a Saquarema a partir desta terça-feira, com a realização da penúltima etapa do Challenger Series, a reformulada divisão de acesso do esporte. O campeonato marca o retorno de Gabriel Medina às competições, justamente na mesma praia de Itaúna onde machucou o joelho esquerdo durante o evento do Championship Tour (CT), a elite. O Challenger de Saquarema tem prazo até a próxima terça para ser encerrado, e é decisivo na reta final do circuito, que classifica 10 homens e cinco mulheres para o CT de 2023.

O calendário da próxima temporada foi divulgado pela WSL no mês passado com uma novidade - o retorno do evento no Surf Ranch, a piscina de ondas de Kelly Slater - e duas manutenções: o corte de surfistas no meio do ano e o WSL Finals na praia de Trestles, na Califórnia. Nas redes sociais, fãs e até mesmo surfistas não pouparam críticas. A World Surf League, porém, se escora nos bons números da temporada, avaliada como a melhor da história do surfe profissional, para manter a redução no número de competidores a partir do quinto evento do circuito e a decisão do campeão em um mata-mata reunindo os cinco primeiros do ranking.

- Esta temporada foi um divisor de águas para o surfe profissional. Foi o primeiro ano inteiro completo com o redesenho do circuito, iniciando em Pipeline e tendo homens e mulheres em todos os eventos pela primeira vez. Pelo lado dos negócios, temos mais patrocinadores atualmente do que já tivemos na história. Estamos levando o esporte para a frente. Digo que ainda temos um longo caminho a percorrer, mas foi o ano mais bem sucedido do surfe profissional - disse Erik Logan, CEO da WSL, em entrevista exclusiva ao GLOBO.

Erik aponta os números de audiência durante o WSL Finals - segundo a WSL, houve um crescimento de 22% em relação a 2021, com mais de 8 milhões de pessoas nos canais digitais da entidade - e mesmo o feedback de surfistas para elogiar o mata-mata que decide o campeão mundial.

- Queríamos criar uma oportunidade de o título ser definido na água. E vencer na água valeu demais para a Stephanie (Gilmore). Gabriel (Medina) também me disse isso, os surfistas me disseram isso, de quanto valeu vencer na água. Em dois anos, três dos quatro líderes do ranking foram campeões (apenas Carissa Moore não conquistou o título feminino nesta temporada, derrotada por Stephanie Gilmore). Isso valida o formato. Para o lado do negócio e dos fãs, os números foram incríveis.

Divulgado poucos dias após a coroação de Filipe Toledo e Stephanie Gilmore como campeões mundiais, o calendário 2023 foi alvo de muitas críticas nas redes sociais e entre a mídia especializada. Houve apenas uma alteração em relação a este ano, com a saída da etapa de G-Land, na Indonésia, considerada uma das melhores ondas do mundo e substituída pelo Surf Ranch, que é apontado por muitos fãs como um evento "entediante", pela previsibilidade das ondas criadas por uma máquina. Erik Logan diz que o campeonato na piscina de ondas criada por Kelly Slater, ausente no calendário deste ano, deve voltar a ser uma etapa cativa no circuito.

- Nossa intenção é sempre utilizar nossa tecnologia do Surf Ranch, uma onda de alta performance. É apropriado ter nossos surfistas lá, e sempre quisemos ter o evento no calendário. É mais fácil de saber quando o evento vai ser realizado - diz o CEO da WSL, citando também a facilidade de logística para encaixar o campeonato, marcado para 27 e 28 de maio, com a realização do ISA Games, evento classificatório para os Jogos de Paris-2024 e que será disputado em El Salvador a partir de 30 de maio. - Tínhamos que montar o calendário pensando no ISA Games. Se fossemos para outro local, como G-Land, por exemplo, seria muito apertado para nossos surfistas que vão competir no ISA Games. Foi um cenário perfeito, acomodar o calendário e trazer o Surf Ranch. Vai ser conveniente para os atletas. Há a questão da viabilidade econômica também.

Essas duas palavras são uma constante na entrevista do CEO da WSL. E voltam a aparecer quando ele é perguntado sobre possíveis novos locais no circuito - afinal, surfistas são conhecidos pelo prazer em viajar e descobrir novas ondas

- Temos um time empenhado para ver onde vamos no futuro. O balanço está entre qualidade das ondas, como G-Land e Fiji, e viabilidade econômica.

O lado econômico também entra em cena quando se fala sobre outro novidade polêmica nesta temporada, e que já está garantida para o ano que vem: o corte no número de surfistas (de 36 para 24 homens e de 18 para 12 mulheres a partir da sexta etapa do circuito).

- Pela perspectiva econômica e dos fãs, se você olhar para o meio da temporada, não temos muitos objetivos que atraiam a atenção dos fãs, aumente o consumo, o engajamento. O corte trouxe muita atenção para as etapas de Bells e Margaret River (na Austrália, eventos anteriores ao corte do meio do ano). A audiência foi incrível nestes dois eventos. Pela perspectiva dos fãs e do negócio, quanto mais audiência você tiver, mais valioso fica seu negócio e você pode gerar mais vendas. E era difícil realizar o campeonato em um único swell em alguns locais com um número muito grande de surfistas - explica Erik.

Uma coisa parece certa: o Brasil não deve sair tão cedo do calendário da WSL:

- É um dos países mais importantes para o circuito. Eu não poderia falar melhor da cultura, das pessoas, dos surfistas, dos patrocinadores. O Rio Pro é incrível, 40 mil pessoas na praia celebrando o esporte. É uma alquimia de talento e cultura.