'Xepa' da vacina: secretário de Saúde do Rio faz apelo para não haja corrida aos postos no fim do dia

Luiz Ernesto Magalhães
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O secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, fez na manhã desta quarta-feira um apelo para que não haja uma corrida aos postos no fim do dia na tentativa de garantir sobras da vacina. Soranz, no entanto reconheceu que podem sobrar doses no encerramento do expediente, o que esta sendo conhecido como "xepa da vacina" mas que nesses casos existem prioridades e a aplicação não se dá de forma indiscriminada.

— Os postos foram orientados a abrir os frascos da vacina Oxford/AstraZeneca (que vêm em dez doses) quando há demanda. Isso ocorre geralmente pela manhã. A CoronaVac vem em doses únicas, por isso em boa parte das unidades não há sobras no fim do dia — disse Soranz.

Soranz reiterou que a aplicação de eventuais sobras foi regulamentada em nota técnica da secretaria municipal de Saúde. A prioridade é aplicar em idosos que estejam acamados e que morem na região dos postos. Apenas se isso não for possível, as vacinas serão aplicadas e orientadas para o público-alvo entre os quais idosos e profissionais de Saúde.

O GLOBO mostrou que grupos têm aguardado em postos por possíveis doses de imunizantes contra a Covid-19. Na tarde de terça, por exemplo, 20 pessoas fizeram isso no Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto, em Copacabana, na Zona Sul do Rio.

No local, não havia nenhum idoso acima de 90 anos ou profissional de Saúde, que são alvos da atual etapa da imunização na cidade, mas todos ficaram ali até o fim do expediente. Perguntados o que fazem na porta da unidade, eles próprios disseram que aguardavam pela “xepa”. O termo, conhecido por designar as compras no fim da feira, passou a ser usado por quem vai atrás das sobras da vacina Oxford/AstraZeneca.

No fim do horário de vacinação, um funcionário da unidade apareceu para anunciar a notícia tão ansiada: com devoção quase religiosa, quem está ali no “gargarejo”, onde os agentes vacinam o grupo prioritário, escuta um habemus vacina — na verdade a coisa é mais objetiva, o servidor disse que havia uma dose e perguntou quem era o mais velho. Uma mulher, que não quis divulgar seu nome, venceu a disputa da idade. Os outros começaram a deixar o local, momentaneamente decepcionados.