XP diversifica plataforma e faz aporte de R$ 100 milhões em gastronomia

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RIO — A XP Investimentos está fazendo um aporte de R$ 100 milhões na empresa Alife-Nino, rede de 21 bares, entre eles, o Tatu Bola, Boa Praça e Eu Tu Eles, nove restaurantes premium, como o Nino Cucina, Da Marino, Forno da Pino, e uma cozinha delivery.

Essa é a primeira vez que a XP investe nesta área, sendo o sétimo negócio do fundo private equity (que compra participações em empresas) desde a sua captação há cerca de um ano.

Segundo a XP, com este aporte, já teria sido investido cerca de 80% do capital do fundo, de R$ 1,4 bilhão, em plataformas como o hospital de olhos CBV, a Botoclinic (de harmonização facial), a BR Suply (provedora de suprimentos corporativos), a empresa de beautytech Beyoung, além da companhia de seguros Pottencial e o banco digital Will Bank.

O fundo de private equity da XP conta com a captação de mais de 5,4 mil investidores, boa parte pessoas físicas, com foco investimentos em empresas de médio porte dos setores de saúde, educação, serviços financeiros, consumo e tecnologia.

Chu Kong, responsável pela área de private equity da XP, afirma que o setor de bares e restaurantes não tem atraído investidores porque há informalidade, a gestão é empreendedora, mas não profissional. Ele disse ainda que as empresas, geralmente, são voláteis. Mas afirmou que a XP encontrou uma exceção. Para Chu Kong, as marcas do grupo Alife-Nino têm forte aderência e popularidade com o público geral, sendo negócios comprovadamente escaláveis.

— O setor de alimentação fora de casa movimenta mais de R$ 400 bilhões por ano, mas ainda é um setor fragmentado e marcado pela informalidade. Encontramos no Grupo Alife-Nino marcas longevas e resilientes. O Tatu Bola tem mais de dez anos, o Nino, mais de cinco. Em outras palavras, já têm um modelo de negócio maduro e consistente. Esse grupo não tem práticas informais e encontramos um time competente em gestão que se diferencia dos demais. Não à toa, não há grupos concorrentes. Temos uma tese de investimento diferenciada aqui — explica Kong. — Somado a isso, o mercado de capitais brasileiro ainda é carente de players do setor, e diante desse contexto, enxergamos a Alife-Nino como uma forte candidata para um futuro IPO.

O executivo afirma ainda que, se aportar o capital e puder replicar essa operação em todo o Brasil, será possível obter uma plataforma grande, "com massa crítica, alto potencial de replicabilidade e de sinergia".

— Essa plataforma tem potencial para crescer de forma orgânica e inorgânica. Hoje, os R$ 100 milhões são suficientes para abrir outras filiais ou para adquirir outros grupos desta mesma área que faça sentido. Se o negócio for bem, claro que colocaremos mais dinheiro.

Sem dívida

Um dos setores mais prejudicados em 2020 por causa dos efeitos da pandemia de Covid-19, o setor de bares e restaurantes fechou cerca de 335 mil estabelecimentos no país — com a demissão de mais de 1,2 milhão de trabalhadores no período, de acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Segundo pesquisa da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), o nível de endividamento das empresas do segmento é de 55% e além disso, 62% das empresas, entre restaurantes, bares, cafés e lanchonetes, ainda não recuperaram as vendas em relação ao pré-pandemia.

No entanto, apesar da crise, as empresas da Alife-Nino não fecharam estabelecimentos e não demitiram nenhum dos seus 700 funcionários.

A Alife-Nino é composta por duas unidades de negócios: a Alife, rede de bares fundada em 2010 por Pedro Silveira e Alessandro Ávila, e o Grupo Nino, rede de restaurantes fundada em 2015 por Rodolfo de Santis e Marcelo Magalhães.

Segundo Ávila, o aporte da XP será integralmente usado para a expansão das marcas. A empresa, diz ele, opera no azul e já quitou empréstimos feitos durante a pandemia.

Segundo o fundador da unidade Alife, esse investimento chega em um momento decisivo da companhia que pretende abrir capital em até três anos.

Ávila afirma que, dentre suas empresas, as do Rio de Janeiro "sentiram menos a crise econômica", uma vez que o comércio permaneceu fechado por menos tempo. O Rio álias será uma praça com investimentos nos próximos anos:

— Zeramos as dívidas e o investimento da XP será usado para a expansão e novas operações. A partir do ano que vem passaremos a uma situação agressiva, com mais lojas no Rio, duas ou três, e Niterói, praças fortes no nosso entender — disse Ávila. — Nosso setor, o de eventos e o turismo sofreram impacto grande com a pandemia. Conseguimos reduzir a jornada de trabalho de nossos funcionários, renegociamos contratos e fizemos empréstimos para manter todos os nossos 700 funcionários. Essa volta está sendo difícil para a maioria do setor, mas nós esperamos um segundo semestre de 15% a 20% melhor do que 2019, mesmo com operações em regiões como a da Berrini (região comercial em São Paulo), com 70% de movimento.

Segundo a Abrasel, a estimativa de faturamento total do setor de bares e restaurantes este ano deve encerrar em R$ 215 bilhões, 23% acima do ano passado. Em 2019, a receita ficou em R$ 235 bilhões.

Boa Praça chega na Barra

Com presença em cidades paulistas, como São Bernardo, Campinas e Ribeirão Preto, além de Rio e Goiânia, a ideia do grupo é crescer para o resto do país, incluindo novos restaurantes que só estão presentes na capital paulista, principalmente na região chique da avenida Faria Lima.

A primeira fase de crescimento já está em andamento, com a inauguração de 12 bares entre Vitória, Sorocaba (SP) e Barra da Tijuca, no Rio.

Ávila disse que o Boa Praça, que já tem endereços no Leblon e em Ipanema, onde era o Astor. Mas chegará primeiro na Barra, onde será inaugurado uma filial no próximo dia 19 , na Olegário Maciel.

— O investimento da XP valida o que iniciamos há dez anos. Entramos nesse segmento com meta de profissionalização, algo ainda carente no país. Há pouco mais de um milhão de bares e 700 mil não tem nem CNPJ. Somos o maior grupo de bares do Brasil e em dois ou três anos vamos abrir capital e iniciar processo de consolidação do setor. Gostamos do Rio e vamos investir cada vez mais na cidade.

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