XP protocola pedido de abertura de capital em Nova York

ISABELA BOLZANI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A XP Inc (denominação do Grupo XP Investimentos desde setembro) protocolou o pedido de IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) na Bolsa de valores americana Nasdaq nesta sexta-feira (15). O pedido foi enviado à SEC (órgão regulador do mercado nos Estados Unidos, o equivalente à CVM no Brasil).

A companhia ainda não indicou a faixa de preço que pretende vender suas ações e nem quantos papéis devem ser oferecidos ao mercado. Mas o mercado trabalhava com uma estimativa de que a oferta de ações da XP movimentasse cerca de US$ 2,5 bilhões (o equivalente a R$ 10 bilhões).

Segundo o prospecto preliminar (relatório que detalha as intenções e expectativas da XP em relação ao seu IPO), as ações oferecidas serão tanto primárias quanto secundárias, o que significa que parte do valor levantado irá para o caixa da companhia e a outra parte para os acionistas vendedores. A XP tem como acionistas os fundos Dynamo e General Atlantic, além de seu fundador, Guilherme Benchimol e o Itaú Unibanco, que comprou 49,9% da corretora em 2017.

A listagem da corretora na Nasdaq já era esperada pelo mercado, assim como a notícia de que o Goldman Sachs, o J.P. Morgan, o Morgan Stanley, o Itaú BBA e o Citigroup estão entre os bancos coordenadores também já era conhecida.

As ações Classe A listadas pela companhia estarão sob o código “XP” e a expectativa é de que a definição final de preço da operação ocorra em 12 de dezembro. A corretora venderá no mercado apenas ações de classe A, que darão direito a um voto por ação. Os controladores terão ações de classe B, com direito a 10 votos por ação -esses papéis não serão listados em Bolsa.

A XP usará parte do dinheiro captado no mercado para colocar de pé o próprio banco -a corretora recebeu aval do Banco Central para ter um banco em setembro. A corretora também deve expandir sua atuação em outras áreas do sistema financeiro, como seguros e meios de pagamento.

O dinheiro captado com a oferta de ações deve ser destinado ainda para aumentar o dinheiro em caixa que apoiará a expansão do negócio e em gastos com marketing e publicidade para atrair clientes. A corretora diz ter 1,5 milhão de clientes ativos.

Além disso, a companhia diz que uma parcela dos recursos pode ficar em caixa para financiar novas aquisições relacionadas ao seu negócio.

Dentre os possíveis riscos de negócio identificados pela XP em seu prospecto, a companhia informa que detectou deficiências em seu controle interno sobre relatórios financeiros. Caso essas deficiências não sejam corrigidas, a companhia informou que há a possibilidade de não conseguir evitar fraudes nem de cumprir com suas comunicações obrigatórias, além de trazer resultados operacionais imprecisos.

Além disso, a XP também reportou em seu prospecto riscos relacionados à cibersegurança, como o vazamento de dados de seus clientes, revelado em 2017, e à maior concorrência no mercado de capitais.

No início do ano, a XP anunciou que tem uma meta de alcançar R$ 1 trilhão de ativos sob custódia até o final de 2020. No prospecto, a companhia afirmou ter 350 bilhões em ativos sob gestão. O lucro de janeiro a setembro foi de R$ 699 milhões.

A listagem será feita apenas nos EUA, e há a expectativa de que a companhia seja comparada a empresas com modelos de negócio considerados disruptivos, com mais de US$ 10 bilhões em valor de mercado.

Analistas consideram que a eliminação do risco de variação cambial e a intenção de atrair um maior volume de negociações podem ter sido fatores que pesaram na decisão da corretora em abrir capital em Nova York, além do melhor posicionamento da companhia entre investidores, uma vez que o mercado americano é mais desenvolvido.

É pelo menos a terceira vez que a XP, corretora fundada em Porto Alegre há 18 anos, tenta abrir capital. O plano anterior, de 2017, foi adiado pela venda de participação para o Itaú, maior banco privado do país. O General Atlantic vinha pressionando a corretora a abrir capital: um dos motivos seria permitir que ele possa sair do negócio e realizar lucro após anos de investimento.

A XP cresceu calcada no discurso de desbancarização de investimentos, ao ampliar o leque de produtos disponíveis para o consumidor. Fez isso reproduzindo o modelo da corretora americana Charles Schwab. Ganhou espaço também com a figura do agente autônomo de investimento, uma espécie de revendedor que ajuda o pequeno investidor a escolher produtos.