Yellen alerta que Tesouro americano pode ficar sem dinheiro em outubro

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WASHINGTON - O governo dos EUA vai exaurir seus fundos "em outubro" se o teto da dívida federal não subir, advertiu a secretária do Tesouro, Janet Yellen, em uma carta aos legisladores do Congresso nesta quarta-feira. Esse limite ficou suspenso por dois anos, entre agosto de 2019 e julho de 2021, graças a um acordo entre o governo do ex-presidente republicano Donald Trump e o Congresso.

“Desde que o limite da dívida foi restaurado em 1º de agosto, o Tesouro passou a usar certas medidas extraordinárias para continuar financiando o governo”, lembrou Yellen. “Com base nas nossas melhores e mais recentes informações, é mais provável que o dinheiro e as medidas extraordinárias acabem durante o mês de outubro”, explicou.

O líder da maioria no Senado, Charles Schumer, e a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, disseram, separadamente, que havia várias opções para resolver a questão do limite da dívida, sem especificá-las por enquanto.

Yellen pretende aumentar seu envolvimento com membros do Congresso à medida que mais legisladores retornam a Washington do recesso de verão, de acordo com um funcionário do Tesouro, falando sob condição de anonimato, pois os planos ainda não são públicos.

A dívida e o déficit fiscal dispararam durante a pandemia do coronavírus, depois que três projetos de lei foram aprovados com gastos maciços para conter os danos à economia.

"Estimar o ponto final para evitar uma possível inadimplência nos pagamentos tem sido mais desafiador este ano devido aos fluxos de gastos e receitas difíceis de prever, relacionados à pandemia", disse o Tesouro.

Os rendimentos dos títulos do tesouro dos EUA de 10 anos foram pouco alterados após o lançamento da carta de Yellen. Os mercados financeiros até agora mostraram preocupação limitada com a inadimplência de pagamentos.

No início de agosto, Yellen já havia enviado um e-mail sobre o prazo de outubro para instar os legisladores a aumentar o teto da dívida e evitar o risco de inadimplência.

Agora Yellen define uma data específica, lembrando que se um default ocorresse, seria o primeiro na história americana.

Em 2011, a agência de classificação de risco Standard and Poor's retirou do país a nota “AAA”, a máxima possível, que lhe permitia obter crédito nos mercados a um custo mínimo, após longos meses de bloqueio político ao limite da dívida.

Yellen pede aos legisladores que não esperem "até o último minuto" para chegar a um acordo, de forma a não afetar a confiança de empresas e consumidores.

Espera-se que legisladores democratas anexem uma medida que trata do limite da dívida a um projeto de lei provisório de gastos que será necessário para garantir que o governo federal continue financiado após o início do ano fiscal em 1º de outubro.

Mas os líderes do Congresso indicaram na quarta-feira que outras opções também eestavam na mesa.

“Temos várias maneiras de atingir o teto da dívida”, disse Schumer, de Nova York, na quarta-feira, em entrevista coletiva por telefone. “Precisamos fazer isso. Fiquem alertas."

Pelosi, da Califórnia, teve posição semelhante em um briefing separado: "Teremos várias opções, vamos torná-las conhecidas à medida que as restringirmos ", disse sobre o aumento do teto da dívida: “Isso tem que acontecer”.

Quase todos os senadores republicanos se comprometeram a votar contra o levantamento ou suspensão do limite, vinculando essa posição à sua antipatia em relação aos movimentos dos democratas para aprovar um pacote de gastos sociais de US$ 3,5 trilhões. Dez senadores republicanos precisariam apoiar o aumento do teto da dívida para que ele passasse pela câmara sob a chamada ordem regular.

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