New York Cosmos: entre idas e vindas, time de Pelé nos EUA está inativo há dois anos por conta da pandemia da Covid-19

Pelé, que morreu na última quinta-feira após uma longa batalha contra o câncer, jogou em apenas dois clubes em toda a carreira. Após 18 temporadas no Santos, o maior jogador de todos os tempos se transferiu para o New York Cosmos, dos Estados Unidos, em 1975, com a missão de popularizar o esporte no país.

O camisa 10 fez parte de um projeto que visava a mostrar que esporte, entretenimento e business poderiam caminhar lado a lado. À época, o Cosmos era comandado pela Warner — empresa que possui no seu catálogo atual de atrações os heróis da DC, como Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha. Por isso, o contrato de Pelé previa a exploração comercial de sua imagem.

O brasileiro jogou mais de 100 partidas pela equipe americana, com 64 gols marcados. Pelé encerrou a carreira dois anos mais tarde, em uma partida entre Cosmos e Santos no estádio do New York Giants, com o Rei disputando um tempo em cada time.

Após a saída de Pelé, o clube seguiu sua rotina normalmente até 1984. Porém, com o encerramento da NASL (North American Soccer League) — o campeonato que disputava e que, apesar da presença de tantos astros, não conseguia ser lucrativo pela falta de hábito do torcedor americano à modalidade — o Cosmos deixou de ser um time de futebol de campo.

O clube ainda tentou uma sobrevida atuando em uma liga de showbol — um jogo de futebol disputado em quadras reduzidas (seis atletas para cada lado) e que tem como característica a ausência de linhas demarcando o campo (a bola pode bater na parede que continua em ação) — por uma temporada. No entanto, em 1985, o Cosmos fechou as portas de vez. O que durou duas décadas e meia.

Em 2009, os donos do clube — que já não era mais a Warner — aceitaram vender o time americano para Paul Kemsley, um antigo vice-presidente do Tottenham, que teve como missão reabrir as portas da equipe. E logo de cara, o Cosmos se aliou a grandes nomes do futebol. Pelé foi contratado como presidente de honra, Carlos Alberto Torres e Chinaglia ganharam postos de embaixadores e o francês Éric Cantona virou seu garoto-propaganda.

Três anos depois do recomeço, o Cosmos anunciou que não iria disputar a Major League Soccer (MLS), a principal liga de futebol dos Estados Unidos. O clube decidiu jogar a North American Soccer League (NASL), competição menos importante, que se assemelhava a uma segunda divisão. O projeto funcionou, pelo menos nas quatro primeiras temporadas, onde o time conquistou três títulos.

Mas, em 2018, tudo começou a desandar novamente. A liga entrou em processo de falência e parou de ser disputada. Com isso, o Cosmos dispensou todos os jogadores que tinha sob contrato e ficou em fora das ações durante duas temporadas. Dois anos depois houve uma tentativa de retomada na National Independent Soccer Association (NISA), uma espécie de terceira divisão dos Estados Unidos, mas durou pouco tempo. E por conta da pandemia da covid-19, o ex-time de Pelé interrompeu de vez as atividades.