YouTube derruba transmissão com mentiras de Bolsonaro a embaixadores

Presidente Jair Bolsonaro reuniu embaixadores e mentiu sobre as eleições de 2014 (Foto: DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro reuniu embaixadores e mentiu sobre as eleições de 2014 (Foto: DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images)

O YouTube retirou do ar a transmissão do evento do presidente Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores. O encontro aconteceu em 18 de julho no Palácio da Alvorada e, ao discursar, mentiu sobre as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro.

Segundo informações do colunista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, o YouTube atualizou nesta quarta-feira (10) as políticas de integridade eleitoral do YouTube. Com isso, a live de Bolsonaro foi derrubada.

Na ocasião, o presidente falou sobre uma suposta fraude nas eleições de 2014, que não ocorreu. Bolsonaro também colocou em dúvida a lisura do processo eleitoral brasileiro, sem apresentar qualquer prova.

Ao Metrópoles, o YouTube declarou que que todos os vídeos com “informações falsas sobre fraudes generalizadas, erros ou problemas técnicos que supostamente tenham alterado o resultado” em relação às eleições de 2014.

Vídeos de Bolsonaro sendo alvo da facada durante a campanha de 2018 também foram removidos, devido à atualização da política de combate aos discursos de ódio.

Relembre o que foi dito na reunião

O mandatário brasileiro começou sua fala dizendo que basearia a sua apresentação em uma inquérito da PF (Polícia Federal) sobre o suposto ataque hacker ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) durante as eleições há quatro anos, em 2018, informou o jornal Folha de S. Paulo.

"Segundo o TSE, os hackers ficaram por oito meses dentro do computador do TSE, com código-fonte, senhas —muito à vontade dentro do TSE. E [a Polícia Federal] diz, ao longo do inquérito, que eles poderiam alterar nome de candidatos, tirar voto de um e mandar para o outro", disse ele.

Mas o tribunal já afirmou que o inquérito não concluiu que houve fraude no sistema eleitoral em 2018 —diferentemente do que Bolsonaro disse diversas vezes, mesmo sem apresentar provas.

"A PF concluiu, pela total falta de colaboração do TSE para com a apuração do que os hackers tinham feito ou não de 2018. E repito, até hoje esse inquérito não foi concluído. Entendo que não poderíamos ter tido eleições em 2020 sem apuração", acrescentou Bolsonaro.

É importante ressaltar, porém, que as declarações do presidente têm sido contestadas pelas autoridades do TSE desde o ano passado.

O chefe do Executivo justificou suas falas mentirosas afirmando desejar “corrigir falhas” do processo eleitoral do país, além de querer “uma democracia de verdade”.

"Nós queremos, obviamente, estamos lutando, para apresentar uma saída para isso tudo. Nós queremos confiança e transparência no sistema eleitoral brasileiro."