YouTube apaga mais 12 vídeos de Jair Bolsonaro por citar medicamentos sem eficácia comprovada

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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the launch of the Gigantes do Asfalto Program, which aims to reduce bureaucracy for cargo trucking, at Planalto Palace in Brasilia, on May 18, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto em maio de 2021 (EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O YouTube removeu nesta quarta-feira mais 12 vídeos do canal oficial de Jair Bolsonaro por violação das regras de uso da plataforma, que estabelece políticas de desinformação médica sobre a Covid-19. Outros quatro vídeos do presidente já haviam sido retirados da plataforma por justificativa semelhante no final de abril, após uma atualização das políticas de uso.

A informação foi divulgada pelo G1, que afirma que em pelo menos 10 vídeos, Jair Bolsonaro fazia menções a cloroquina, medicamento sem eficiência comprovada contra o novo Coronavírus. Ao acessar as publicações no canal do presidente, o usuário é informado que “Este vídeo foi removido por violar as diretrizes da comunidade do YouTube".

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Duas lives feitas em março e abril do ano passado estão entre os conteúdos apagados da plataforma. A cloroquina não foi citada no título da publicação, mas o remédio estava presente nas descrições dos vídeos. Outros títulos como "A Hidroxicloroquina cada vez mais demonstra sua eficácia em portadores do COVID-19" e "Fox News mostra estudos sobre a eficácia da Hidroxicloroquina no combate ao Coronavírus" também foram apagados do canal de Jair Bolsonaro.

O levantamento da Novelo Data identificou 11 publicações retiradas pelo YouTube, mas ao G1 a plataforma informou que mais um vídeo também foi deletado. Em abril, todos os vídeos excluídos eram registros das transmissões ao vivo de Bolsonaro feitas semanalmente entre junho de 2020 e 11 de fevereiro de 2021 e continham também defesas de outros remédios sem eficácia contra a Covid-19, como hidroxicloroquina e ivermectina.

As remoções ocorrem após o YouTube anunciar que expandiu suas políticas de desinformação médica sobre a Covid-19 e que passará a remover vídeos que "recomendam o uso de ivermectina ou hidroxicloroquina para o tratamento ou prevenção da Covid-19, fora dos ensaios clínicos, ou que afirmam que essas substâncias são eficazes e seguras no tratamento ou prevenção da doença".

Canais que violam as políticas de uso do YouTube e recebem três avisos em 90 dias lembrando as regras são excluídos. Cada aviso leva 90 dias, a partir da data de emissão, para expirar. Mesmo com a retirada de 17 vídeos em um intervalo de dois meses, o canal de Jair Bolsonaro permanece ativo na plataforma. Ao G1, a empresa informou que os vídeos em questão foram publicados antes das novas regras de uso serem atualizadas e, portanto, não implicam em outras punições.

Esta é a mesma justificativa informada pela plataforma da última vez que Jair Bolsonaro teve vídeos apagados do YouTube. Segundo a empresa, em caso de violação que envolva uma regra que foi atualizada recentemente, como a que levou às remoções no canal de Bolsonaro, existe um "período de carência” para que os criadores de conteúdo possam se adaptar.

Ainda assim, antes da atualização das políticas de uso, o YouTube já indicava em suas diretrizes não ser permitido "o envio de conteúdo que dissemine informações médicas incorretas que contrariem as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) ou das autoridades locais de saúde".

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