Zélia Duncan relembra vergonha por ser gay e fala de casamento com a designer Flávia Soares

Maria Fortuna
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Zélia Duncan trocou o Rio por São Paulo por amor. Moradora da Urca, na Zona Sul carioca, há 20 anos, ela agora divide uma casa no bairro do Sumaré com a companheira, a designer e artista plástica Flávia Soares, e quatro cachorros. As duas estão prestes a se casar. Já preparam documentos para a união estável. Aos 56 anos, Zélia "está mais assumida do que nunca".

O mergulho na conscientização política e nas lutas identitárias, além do contato com jovens meninas gays empoderadas (como a atriz Bruna Linzmeyer, com quem Zélia rodou o curta sobre visibilidade lésbica "Uma paciência selvagem me trouxe aqui", dirigido por Érica Sarmet) fizeram com que ela confrontasse antigos demônios e curasse neuras que carregava desde quando se descobriu gay, aos 16 anos ("achava que estava doente, tinha vergonha por ser gay, demorei a me sentir digna de estar com todo mundo", conta).

À alegria de estar bem resolvida se contrapõe à tristeza pela morte do pai por parada cardiorrespiratória, há dois meses. É equilibrando essa dubiedade de sentimentos que a cantora chega aos 40 anos de carreira. E leva as marcas de sua existência para a música que faz. A paixão, ela transformou na canção "Coisinhas", dedicada à namorada. Diz assim: "Tudo que eu faço/ E acho que talvez seja bonito/ É só pra você, é só pra isso/ Pra hoje, pra agora/ Enquanto posso/ Ouvir sua risada sonora". A canção estará num disco autoral, que sai em junho. Antes dele, nesta sexta-feira (5), ela lança "Minha voz fica", álbum com canções da compositora sul-mato-grossense radicada em São Paulo Alzira E.

Nesta entrevista, a artista conta que tem aprendido com a nova geração de lésbicas empoderadas ("As meninas de hoje me devolveram o orgulho de ser sapatão") e fala sobre a relaçao com Flávia Soares ("Estou apaixonada").

Leia a entrevista completa aqui.