Zambelli armada e caso das rádios são vistos como tropeços finais pela campanha de Bolsonaro

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Duas confusões recentes envolvendo o círculo próximo de Jair Bolsonaro (PL) foram avaliadas por assessores do presidente como graves tropeços na campanha pela reeleição na reta final.

São elas a cena da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) armada por ruas de São Paulo na véspera da eleição e também as suspeita levantadas pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, de que rádios teriam omitido inserções políticas do presidente.

Outro ponto levantado por esses assessores é o fato de Bolsonaro não ter intensificado a campanha em São Paulo, principal colégio eleitoral do país, nos dias que antecederam a votação. O presidente finalizou a campanha com uma motociata em Belo Horizonte (MG).

Antes, a uma semana da eleição, Faria convocou jornalistas para "acompanhar a exposição de um fato muito grave", segundo ele, no Palácio da Alvorada. A entrevista foi dada ao lado do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten, que também trabalhava na campanha.

Faria afirmou que rádios estavam supostamente prejudicando Bolsonaro ao não veicular a propaganda eleitoral do PL. As provas se mostraram frágeis, mas o caso levou bolsonaristas a pedirem adiamento das eleições e intensificaram as denúncias de fraude eleitoral, o que desgastou a campanha bolsonarista com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Dias depois, o ministro disse à Folha de S.Paulo ter se arrependido profundamente de ter participado da entrevista. "Se eu soubesse que [a crise] iria escalar, eu não teria entrado no assunto", afirmou.

Já no dia anterior à eleição, Carla Zambelli foi filmada perseguindo armada um eleitor de Lula que a insultou. Ela chegou a entrar em um bar da região dos Jardins, em São Paulo, apontando a arma para o homem e mandando ele se deitar no chão. A parlamentar teve a arma apreendida e foi liberada em seguida por não ter infringido a lei eleitoral.

A avaliação do núcleo político bolsonarista é que o caso pode ter afastado eleitores indecisos. Bolsonaro perdeu para Lula neste domingo (30) por 2,1 milhões de votos, na disputa presidencial mais acirrada desde a redemocratização.

Há quase 20 horas sem um pronunciamento público sobre a derrota, o chefe do Executivo está recluso e quieto, segundo um assessor, que não vê a possibilidade de ele falar sobre a derrota eleitoral ainda nesta segunda-feira (31).

Em grupos de conversa bolsonaristas, eleitores estão ansiosos por uma declaração do presidente. Eles divulgam e compartilham teorias infundadas, segundo as quais as Forças Armadas estariam aguardando uma reação do povo ou que Bolsonaro estaria planejando soltar alguma bomba.

Apenas o senador Flávio Bolsonaro (PL) e a primeira-dama Michelle Bolsonaro se manifestaram nesta segunda.

"Obrigado a cada um que nos ajudou a resgatar o patriotismo, que orou, rezou, foi para as ruas, deu seu suor pelo país que está dando certo e deu a Bolsonaro a maior votação de sua vida! Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil! Deus no comando!", escreveu o filho do presidente no Twitter nesta tarde.

Mais cedo, Michelle publicou um trecho bíblico em sua conta no Instagram: "Salmos 117: Louvai ao senhor todas as nações, louvai-o todos os povos. Porque a sua benignidade é grande para conosco, e a verdade do Senhor dura para sempre. Louvai ao Senhor".