Zeca Pagodinho explica hábito de pegar carona com desconhecidos na rua

"Deixa a vida me levar" não é só um samba popular de Zeca Pagodinho. É algo que o cantor faz com frequência, nas mais inusitadas situações. Morador do Rio de Janeiro, o cantor costuma, por exemplo, pegar carona com desconhecidos na rua. O hábito recentemente deu o que falar e, na internet, o artista explicou por que não tem reservas com as caronas improvisadas e lembrou um caso recente:

— Eu estava na porta do meu edifício. E eu estava esperando um táxi. Aí parou um cara e falou: "Zeca Pagodinho!" Estava ele, a mulher e, atrás, duas crianças. Ele falou: "Pô, tira uma foto com a gente?". E eu: "Só se você me deixar no Barra Shopping". Aí ele: "Eu levo". Chegamos ao Barra Shopping e estava fechado, não tinha táxi, não tinha nada. Eu falei: "E agora?" Ele falou: "Eu te levo de volta". Aí eu falei: "Então, vamos lá em casa para você conhecer minha mulher, meus filhos..." O pessoal era do Ceará. Eles tiraram foto lá em cima, no meu apartamento, com vista para o mar... Aí depois fomos para a praia, para a Barraca do Lelê (...) Eu não dirijo. Saber eu sei. Como é que eu vou fazer? (Se beber, não pode dirigir) Ou uma coisa, ou outra. Eu tenho motorista, mas é mais para a família. Eu gosto de andar só, não sei pedir Uber, nada... Eu sei ficar na rua... Se passa alguém (e diz) "Zeca", eu digo: "Me leva" — esclareceu, em entrevista a Fernanda Paes Leme e Giovanna Ewbank no "Quem pode, pod".

Proprietário de um sítio em Xerém, na Baixada Fluminense, o cantor diz ter se aproximado de muitos anônimos durante alguns períodos da quarentena:

— Eu acho que a vida do outro é fonte para eu viver. Nessa pandemia, conheci mais gente diferente. E quem era só meu amigo de "ôba, ôba" passou a frequentar a minha casa. E, assim, eu procuro visitar, passo com meu quadriciclo. Se vejo uma pessoa sentada, pensativa, sempre dou um jeito de puxar um assunto. E, como alguns amigos me mandam cestas básicas e eu também compro, sempre vou descobrindo uma casa de quem precisa. Eu cresci pobre, conheci muita gente pobre. Agora faço questão de dividir. Tive uma infância difícil. Não miserável, mas difícil.

Zeca Pagodinho trabalha desde os 14 anos e tem quatro irmãos. Seu pai era comprador de uma empresa de gás e, após um acidente, sofreu com o desemprego.

— Fui ser office boy de uma empresa no Méier, depois fui para auxiliar de escritório, depois virei bicheiro, depois fui ser compositor. Eu não sonhava (com a vida de cantor). Sempre gostei de compor e de as pessoas gravarem as músicas minhas. Tem gente que às vezes fala: "Ué, você não quis ser artista?" E eu digo: "Você está enganado. Se você ver minhas entrevistas, vai ver que eu não quis ser artista". Beth Carvalho me botou para cantar com ela. Quando eu vi, estava no "Fantástico", estava cantando no Asa Branca...

Com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, Zeca conta como surgem as brincadeiras com o neto, Noah, que viralizam na internet:

— (Quando surgiu o meme do Naruto), eu estava p*** com ele porque ele só vivia com aquela roupa. Eu dizia "Rapaz, um calor desse... Por que você não tira essa roupa?" E falei: "Vou botar também para ver como é isso aí. Aí eu botei também. No outro dia, já estava (em todas as redes sociais). E as pessoas me falam "Aí, Naruto!" Agora estou comprando Homem-Aranha para ele toda hora.