Zelador do Cristo Redentor, argentino foi coroinha do Papa Francisco

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RIO - Quando os primeiro turistas chegam ao Cristo Redentor, quem os recebe no platô é o argentino Pablo Aníbal Romero Cardozo, de 44 anos, o zelador da estátua. Ele, que se diz "católico apostólico argentino", viveu quando criança nas ruas de Buenos Aires e foi coroinha. Ele, inclusive, participou de missas e casamentos celebrados por Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco, na Paróquia de Santo Inácio.

Pablo chegou ao Brasil em 2005 e, especialista em restauração e conservação, participou de diferentes projetos no Rio, como o do restauro da Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, para as comemorações do bicentenário da chegada da família real, em 2008, e do próprio restauro do Cristo em 2010. Acabou ficando ligado à estátua.

— Fui criado na rua em Buenos Aires, vendi doces, flores, passei frio. Dormia sozinho no Convento de São Francisco. À noite tinha medo do escuro e rezava. Sempre acreditei em Deus, e pedia a proteção de Jesus. E, hoje, estou aqui, guardado pelos braços do Cristo. É uma missão viver aqui — afirma Pablo, com lágrimas nos olhos, aos pés do monumento.

Por coincidência, o primeiro projeto do Cristo carioca — que ficou conhecido como Cristo da Bola, porque tinha Jesus segurando uma cruz e um globo terrestre nas mãos — foi inspirado no monumento argentino localizado nos Andes, na fronteira com o Chile. Pablo, que é pai de dois filhos brasileiros adolescentes, Gudalupe e Ícaro, foi a pessoa que limpou a pichação em parte dos braços do Cristo carioca em 2010.

— As pessoas só lembram da Igreja, só lembram do Cristo quando se machucam, quando o bicho pega. Eu penso nele todos os dias, desde que acordo até a hora de dormir — diz o argentino, que hoje dorme, literalmente, sob os braços do Cristo, numa casinha logo abaixo da escadaria.

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