Zelenskiy diz que perigo permanece mesmo após usina nuclear ser reconectada

Imagem de satélite mostra incêndio ao lado da usina nuclear de Zaporizhzhia

Por Tom Balmforth e Max Hunder

KIEV (Reuters) - O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, disse nesta sexta-feira que a situação na usina nuclear de Zaporizhzhia continua "muito arriscada" depois que dois dos seis reatores foram reconectados à rede, após um bombardeio que fez com que a maior usina nuclear da Europa ficasse desconectada pela primeira vez em sua história.

Os bombardeios russos continuaram a deslocar civis no leste da Ucrânia, onde três quartos da população já deixaram a região da linha de frente de Donetsk, segundo o governador regional, e a Ucrânia continuou a danificar as rotas de abastecimento da Rússia para a frente sul do combate, perto da cidade de Kherson.

A empresa nuclear estatal ucraniana Energoatom disse na noite de sexta-feira que os dois reatores em funcionamento da usina foram reconectados à rede e estavam novamente fornecendo eletricidade depois de serem totalmente desconectados na quinta-feira.

"Deixe-me enfatizar que a situação continua muito arriscada e perigosa", disse Zelenskiy em seu pronunciamento noturno regular, no qual elogiou os especialistas ucranianos que trabalham para "evitar o pior cenário".

"Qualquer repetição dos eventos de ontem, ou seja, qualquer desconexão da estação da rede, qualquer ação da Rússia que possa provocar a desconexão dos reatores, colocaria novamente a estação a um passo de uma catástrofe", disse Zelenskiy.

A Rússia, que invadiu a Ucrânia em fevereiro, assumiu o controle da usina nuclear em março, embora ela ainda seja operada por técnicos ucranianos que trabalham para a Energoatom.

Os dois lados trocam acusações sobre a culpa pelo bombardeio perto da usina, que na quinta-feira provocou incêndios nos poços de cinzas de uma usina de carvão próxima e desconectou a usina nuclear da rede elétrica.

Imagens de satélite mostraram um incêndio perto da usina, mas a Reuters não conseguiu verificar sua causa.

Zelenskiy também reiterou a exigência da Ucrânia de que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a agência nuclear da ONU, seja autorizada a visitar com urgência a usina de Zaporizhzhia.

A Rússia, que tem forças sediadas no complexo da usina, disse que está fazendo de tudo para garantir que uma visita da AIEA, prevista para os próximos dias, ocorra com segurança. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, disse que a Ucrânia está tentando atrapalhar essa visita atacando a instalação.

Moradores da cidade de Zaporizhzhia, 50 quilômetros a nordeste da usina e cerca de 435 quilômetros a sudeste de Kiev, expressaram preocupação com a situação.

"Claro que estou com medo. Todo mundo está com medo, não sabemos o que vai acontecer, o que está esperando por nós a cada minuto, segundo", disse a gerente de mídia social Maria Varakina, de 25 anos.

A professora Hanna Kuz, de 46 anos, afirmou que as pessoas temem que as autoridades ucranianas não consigam avisar os moradores a tempo em caso de vazamento de radiação.

O Kremlin diz que seu objetivo é "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia e remover ameaças de segurança percebidas à Rússia. A Ucrânia e o Ocidente dizem que este é um pretexto infundado para uma guerra de conquista.

Vladimir Rogov, autoridade nomeada pela Rússia na cidade ocupada de Enerhodar, perto da usina, culpou as Forças Armadas ucranianas pelo incidente de quinta-feira, dizendo que eles causaram um incêndio em uma floresta perto da usina.

"Isso foi causado pela desconexão das linhas de energia da usina nuclear de Zaporizhzhia como resultado das provocações dos combatentes de Zelenskiy", escreveu Rogov no Telegram. "A desconexão em si foi desencadeada por um incêndio e curto-circuito nas linhas de energia."

O Ministério da Defesa da Rússia disse nesta sexta-feira que suas forças destruíram um obus M777 fabricado nos Estados Unidos, que, segundo a pasta, a Ucrânia usou para bombardear a usina de Zaporizhzhia.

A Energoatom informou que o incidente de quinta-feira foi a primeira desconexão completa da usina, que se tornou um ponto crítico na guerra de seis meses.

Autoridades regionais em Zaporizhzhia disseram que mais de 18.000 pessoas em vários assentamentos ficaram sem eletricidade na sexta-feira devido a danos causados ​​a linhas de energia.