Zelensky diz que defendeu sanções à Rússia em conversa com Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro conversou na manhã desta segunda-feira com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Em uma publicação no Twitter, Zelensky afirmou que defendeu a necessidade de sanções contra a Rússia, em repúdio à invasão ordenada pelo Kremlin, prestes a completar cinco meses.

"Informei sobre a situação no front. Discutimos a importância de retomarmos a exportação de grãos da Ucrânia para impedir uma crise global de comida provocada pela Rússia. Eu apelei para todos os parceiros apoiarem as sanções contra o agressor", escreveu Zelensky.

Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o telefonema. Na semana passada, ele havia dito que ia apresentar uma "solução" para o fim do conflito.

Desde o início da guerra, que eclodiu em 24 de fevereiro, Bolsonaro tem defendido uma posição de "neutralidade". Nas últimas semanas, o presidente também passou a repetir que as sanções impostas contra a Rússia pelos EUA e seus aliados europeus não funcionaram.

Tradicionalmente, o Brasil adere apenas a sanções impostas pela ONU. Como a Rússia é membro permanente do Conselho de Segurança, tem o poder de barrar qualquer tentativa de sancioná-la pela invasão do país vizinho.

Ao falar de crise global de alimentos, Zelensky refere-se às acusações de que Moscou barra a saída de navios com grãos produzidos na Ucrânia através da imposição de um bloqueio naval à costa do país. Em alguns lugares, como em Odessa, navios russos estão fundiados a metros da costa e, perto dos portos, há minas postas pelos próprios ucranianos para sua autodefesa.

O país invadido é o quarto maior exportador mundial de grãos e, segundo analistas, cerca de 90% de todas as vendas internacionais de commodities agrícolas ucranianas saem por vias marítimas. Hoje há cerca de 22 milhões de toneladas de grãos paradas em silos ucraniano e, antes da guerra, 12% de todo o trigo do mundo partia de lá.

A Rússia nega as acusações de que usa o bloqueio como uma “arma de guerra” e culpa os próprios ucranianos pela impossibilidade de manter os níveis de exportações de alimentos, que são enviados para dezenas de países ao redor do mundo. A escassez de grãos não apenas faz o preço disparar, batendo recordes históricos, mas também é considerada pela ONU um risco à segurança alimentar de milhões de pessoas.

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