Zelensky promete apoio total a defensores de Soledar e Bakhmut

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, prometeu, nesta quinta-feira (12), entregar todo o material militar necessário para defender Bakhmut e Soledar, duas cidades do leste que resistem há semanas à ofensiva militar russa.

"Quero destacar que as unidades de defesa dessas cidades receberão as munições e todo o necessário de forma rápida e ininterrupta", indicou Zelensky no Facebook, após reunião com seu Estado-Maior.

A situação em Soledar é "difícil" há alguns dias para o Exército ucraniano e, nesta região do oblast (província) de Donetsk, estão acontecendo "os combates mais ferozes e mais intensos" da guerra, declarou anteriormente a vice-ministra da Defesa, Hanna Maliar.

Soledar, conhecida por suas grandes minas de sal, está 15 km a nordeste de Bakhmut, que as forças russas tentam tomar desde o verão boreal.

Andrei Bayevskii, um deputado separatista pró-russo de Donetsk, afirmou que a captura de Soledar permitiria "cortar as linhas de abastecimento" utilizadas pelo Exército ucraniano para defender Bakhmut.

Soledar também oferece "possibilidades de tiros de artilharia até Sloviansk, Kramatorsk e Kostiantynivka", mais a oeste, ressaltou o legislador em declarações à televisão russa.

- 'Estamos aguentando' -

O chefe do grupo paramilitar russo Wagner, Yevgeny Prigozhin, assegurou na quarta-feira que seus homens tinham assumido o controle de Soledar, mas tanto o Ministério da Defesa da Rússia como as autoridades ucranianas o desmentiram rapidamente.

O Kremlin ressaltou hoje "o trabalho gigantesco" e "as ações heroicas" dos homens do grupo Wagner destacados na primeira linha.

"Ainda há muito trabalho para fazer. Não há tempo para parar e esfregar as mãos", disse o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov.

"A Rússia envia milhares de seus cidadãos ao matadouro, mas estamos aguentando", declarou a vice-ministra Maliar, que louvou "a resiliência e o heroísmo" das forças ucranianas.

A Rússia lançou sua ofensiva nesta região de Donetsk após sofrer vários reveses que obrigaram o presidente russo, Vladimir Putin, a mobilizar centenas de milhares de reservistas e a lançar uma campanha de bombardeios contra a infraestrutura energética ucraniana como forma de punição.

Sem apresentar números, Maliar indicou que as tropas russas que lutam em Soledar "estão sofrendo perdas elevadas" em sua tentativa "infrutífera" de quebrar a linha de defesa ucraniana.

Um porta-voz do Exército ucraniano, Serhiy Cherevaty, disse na televisão que os russos "atacam constantemente" Soledar, onde foram registrados 91 tiros de artilharia nas últimas 24 horas.

Em Bakhmut, a médica Elena Molchanova, de 40 anos, continua tratando dos últimos pacientes civis que permaneceram na cidade apesar das bombas.

"Não temos seringas nem agulhas suficientes para a insulina. As reservas de medicamentos para o coração esgotam-se muito rapidamente. Temos paracetamol, mas isso não vai curar os pacientes", explicou Molchanova à AFP.

"Enquanto houver gente aqui", garante, ela não tem planos de deixar a cidade.

- Rússia liberta ex-militar americano -

A Rússia libertou, nesta quinta-feira, um veterano da Marinha dos Estados Unidos que estava detido desde abril, anunciou o ex-diplomata americano Bill Richardson.

A operação aconteceu "em um posto fronteiriço entre Polônia e Rússia", no exclave russo de Kaliningrado, como resultado de negociações "discretas", acrescentou.

O chefe do Estado-Maior russo, Valeri Gerasimov, interlocutor direto de Putin, foi nomeado ontem "comandante do agrupamento combinado de tropas" destacadas na Ucrânia, em substituição a Sergei Surovikin, que dirigiu as operações por apenas três meses.

Oficialmente, a reorganização deve-se à "ampliação da escala das missões que devem ser realizadas e à necessidade de uma interação mais próxima entre os componentes das forças armadas", indicou o Ministério da Defesa russo.

A figura de Surovikin, no entanto, ficou marcada pelas dificuldades das forças russas no terreno, pela tática de bombardear a infraestrutura energética ucraniana sem conseguir afetar o governo em Kiev e pelo bombardeio ucraniano de Ano Novo em Makiivka, onde morreram pelo menos 89 soldados russos.

"Vladimir Putin não falou de novos objetivos", afirmou Peskov nesta quinta-feira.

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