Zelensky prudente após anúncio russo sobre retirada de Kherson

O exército russo começou, esta quinta-feira, a retirar-se da cidade de Kherson, no sul da Ucrânia. Volodymyr Zelenskyy mostra-se prudente após este anúncio e pede "extrema cautela" para que "não se corram riscos desnecessários".

O inimigo não nos dá presentes, não mostra gestos de boa vontade"

“O inimigo não nos dá presentes, não mostra ‘gestos de boa vontade’. Nós lutamos por tudo isto. E, quando se luta, é preciso entender que cada passo vem com a resistência do inimigo. Trata-se sempre da perda de vidas dos nossos heróis. Devemos, portanto, ter extrema cautela, sem emoções e sem correr riscos desnecessários”, referiu o chefe de Estado ucraniano, no seu habitual discurso noturno à nação.

O conselheiro do Presidente ucraniano, Mykhailo Podolyak, já tinha dito na rede social Twitter que “as ações falam mais alto do que as palavras” e que “até ao momento não existiam sinais de que a Rússia estava a partir sem luta”.

Do lado russo, a ordem de retirada da margem ocidental do rio Dnipro foi dada pelo ministro da defesa, Serghei Shoigu. Os militares de Moscovo alegam dificuldades no abastecimento da cidade, devido a constantes ataques ucranianos.

A região de Kherson, recorde-se, está a ser alvo de uma contraofensiva por parte de Kiev há cerca de dois meses.

Nos Estados Unidos da América, Joe Biden já reagiu a este anúncio por parte da Rússia e diz que se trata de uma evidência clara de "problemas" por parte das tropas de Moscovo.

“É a prova de que eles têm problemas reais, a Rússia, o exército russo. Número um. Número dois, dará, no mínimo, tempo para que todos recalibrem as suas posições durante o período de inverno”, salientou o chefe de Estado norte-americano.

Os militares ucranianos mostram-se cautelosos e permanecem em alerta. A confirmar-se, esta retirada será uma das maiores derrotas russas desde o início da guerra.